10 cenas de horror em ‘Hotel’

A temporada ‘Hotel‘ passou num piscar de olhos, e embora tenha trazido consigo novidades no elenco e afins, não deixou a desejar nas suas cenas de horror. É claro que você já deve ter lido por aí que “a temporada foi fraca”; “Asylum é a melhor pra sempre”; “Ah, que saudade que eu sinto da Jessica“, entre tantas outras coisas. Infinitas pessoas já deram suas opiniões quanto à temporada, uns nem tanto satisfeitos, outros mais abertos à novidades. Nesse post eu resolvi separar algumas cenas de Hotel, mas preferi não fazer um Top 10, não colocar em ranking de melhores cenas, melhores diálogos nem nada disso. Só separei dez cenas, o top dez fica a critério do leitor, bem como cenas que podem não estar nesse post.

Algumas pessoas não julgam cenas de horror como cenas de horror porque não se sentem impressionadas com elas. Eu prefiro acreditar que uma cena de horror não deve ser impressionante, mas sim, perturbadora. Nem sempre algo que escandalize, mas que seja possível de acontecer; que de fato aconteça ou já tenha acontecido, que consiga fazer com que o telespectador se sinta de alguma maneira desconfortável com aquela situação. No meu caso, acho uma cena de tortura bem mais perturbadora que uma cena de possessão demoníaca, por exemplo. Não digo que uma é melhor ou de mais qualidade que a outra, mas muitas coisas diferem terror de horror. Antes da quinta temporada começar, escrevi um post com 8 cenas de horror em American Horror Story. Caso você queira ler, clique aqui.

  • Sally; 

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A história de vida da personagem é impressionante. Você nunca imagina o que uma pessoa é capaz de fazer e viver pra se sentir amada, ter companhia e o tanto que se sente rejeitada. Sally relata em suas narrativas sobre a vida, os amigos traficantes que a abandonaram,  sobre seus amigos que a faziam se sentir segura e com algum valor, mesmo que ela estivesse lá só pra ajudá-los no trabalho, sua obsessão por John e como chegou ao ponto de costurar os corpos, ainda vivos um no outro pra que nunca pudesse ser deixada. Claro que isso não é comum de se ver, quanto mais de aceitar, mas é um horror pensar que alguém poderia agir de tal maneira motivada pelo desespero de nunca querer se sentir só, porque a sensação de abandono por alguém que se tem algum laço de afeto é como uma dor insuportável e sequer imaginável.

Não sei em que estágio poderia estar a mente de uma pessoa que seria capaz de agir de tal maneira, ainda mais suportando a situação por dias. Mais agoniante é pensar que fora essa situação de não conseguir (e não poder) se livrar da costura, ela também estava sendo torturada. Se uma pessoa é incapaz de lidar com o abandono, mais terrível ainda é se ver sendo abandonada em razão de uma morte que ela mesma motivou, presa numa situação que ela mesma arquitetou, sendo torturada e posteriormente obrigada a viver com o sentimento da culpa junto com o abandono. Essa cena é retratada num rápido flashback que a personagem tem quando descreve uma época da sua vida, mas é aí que nós percebemos a gravidade da obsessão que Sally tinha em não querer se sentir sozinha em nenhuma circunstância. Particularmente, acho essa cena a mais forte da personagem, mas entre tantas outras cenas, podemos lembrar também dos seus gritos de revolta e raiva ao ver John saindo do hotel com a família e a condição que ela deu para Gabriel na hora em que estava sendo estuprado, dizendo que ele só se livraria da situação se dissesse que a amava.

  • Gabriel;

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As pessoas nunca tem certeza da sua resposta quando lhe perguntam o quê a levou pra tal vício. Algumas dizem que foi por brincadeira, outras por influência, pra esquecer os problemas, pra dar uma animada na situação, dizem um monte de coisas. Acaba que no fim das contas, as pessoas só sentem a necessidade de buscar aquele momento que o efeito da droga proporciona. As pessoas nunca pensam na vulnerabilidade do corpo, não pensam no ambiente que se encontram, nos desconhecidos a sua volta, muito menos na possibilidade de morrer. E essa foi a situação vivida por esse personagem. Muito prepotente, Gabriel chegou no Cortez buscando um quarto pra ter a intimidade de poder se drogar sozinho. Infelizmente foi mais uma escolha errada, já que a chave que foi lhe dada era de número 64, Sally o viu entrando e ele acabou sendo pego pelo Demônio do Vício.

Antes da temporada começar, essa prometia ser “a cena mais perturbadora da temporada”, e pode ser que para alguns seja mesmo. Um rapaz drogado e sozinho num quarto de hotel é atacado e estuprado por uma criatura estranha e desconhecida, e a única oportunidade de sair daquela situação é dizer que ama uma mulher que nem conhece, e mesmo que sua única reação seja gritar de dor e desespero, ele por fim acaba descobrindo que seus gritos são motivadores ao ataque. Pensar em estupro, e mais ainda, ver uma cena de estupro é perturbador e agoniante, principalmente quando a vítima, depois de toda situação que passou, tem seu corpo costurado em um colchão.

  • Assassino dos 10 mandamentos;

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Nem todo mundo se impressiona quando vê cenas de horror, suspense ou terror relacionados a religião, mesmo que tenha sido criado numa família religiosa; e ainda que não tenha uma família religiosa, a sociedade em que vive, principalmente as ocidentais, acreditam em um Criador. Certamente você já ouviu falar em ‘blasfêmia’, que segundo o Aurélio significa “insultante contra o que se considera como sagrado”. Você, leitor que foi criado em um meio religioso ou que somente exercita a fé, não acha perturbador que alguém diga que “Vai ter que matar” Aquele que é o símbolo da sua fé ou pratica de fé?

Eu sei que muita gente só tentou entender a origem do Assassino dos dez mandamentos e quase não se atentou pra esse diálogo. Mas o homem implorava pela misericórdia divina e ouviu que a pior coisa do mundo era a religião, e que começava ali uma mensagem para o mundo. Foi encontrado num domingo, que é um dia sagrado pra muitos, junto a outros corpos, cercado de livros sagrados. Mas pelo menos o homem estava certo quando disse que seu assassino jamais encontraria a paz.

  • March;

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Acabei de citar a cena do inicio dos assassinatos inspirados nos dez mandamentos, mas antes deles começarem, James March já cometia seus crimes. E nesse tópico eu resolvi colocar a cena que mais me deixou chocada por sua frieza e na forma como o personagem pensava nas suas ações. Construir um hotel completamente apto pra esconder e cometer seus crimes já é um grande plano arquitetado, um hotel que por muito tempo não foi descoberto como o local de tantos crimes, acaba dando ao criminoso títulos de crimes perfeitos. É claro que crimes perfeitos são raros, mas crimes retratados em ficção quase sempre são perfeitos, tanto é que descobriram March por uma pista achada fora do Hotel, e que posteriormente ficamos sabendo que foi implantada.

Nessa cena, March estupra e ao mesmo tempo mata a sua vítima. Como eu disse mais acima, as pessoas não acham que tal coisa seja horror porque não se impressionam, mas é perturbadora uma cena onde se vê claramente um estupro e um assassinato sendo executados ao mesmo tempo com muita frieza e habilidade. E nota-se que March não se sente satisfeito pelo seu próprio semblante, quando fica incomodado por um lustre que não o agrada e que precisa de lençóis novos, ao invés de estar momentaneamente satisfeito com o crime cometido. Tamanha a crueldade de suas ações, ele acaba sendo um mentor e inspirador de assassinos reais quando mencionados na série, tentando recrutar alguém que dê continuidade ao seu trabalho.

  • John Lowe;

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John lowe era o investigador dos casos que faziam parte dos crimes dos dez mandamentos. Antes de qualquer pista dos assassinatos recentes serem de autoria de John, já especulava-se que ele seria o autor dos assassinatos. Vale lembrar que John agia de forma inconsciente, e mesmo assim, tinha o devido cuidado para não ser descoberto. Sabe-se que sua trajetória foi moldada e pensada por March, mas cada homicídio executado por John era fruto de suas próprias ideias.

De todos os homicídios executados por ele, fiquei em dúvida se colocaria a cena em que a mulher tem a língua pregada ou aquela dos primeiros capítulos, do casal cometendo adultério. As duas particularmente foram as que mais me impressionaram, não sei se pela qualidade da fotografia, do cenário ou pela própria dramatização. Escolhi o falso testemunho porque ao pensar na situação, uma é mais bem planejada que a outra. Convenhamos que é tecnicamente mais fácil atacar um casal em um momento de intimidade do que atacar alguém no seu ambiente de trabalho. Ninguém sequer imagina que será vítima de suas palavras proferidas, quanto mais atacada fisicamente por isso. Embora o casal tenha tido seus olhos perfurados, a moça teve sua língua comprometida. As duas situações são agoniantes, mas se por acaso nós pudéssemos justificar a gravidade de um erro ao outro, lembraríamos que pessoas se vingam de um adultério e isso não é nenhuma surpresa, mas não de falso testemunho. O tempo todo se vê que crimes são cometidos por ciúmes ou adultério, não por boatos que podem sempre correr pela boca alheia.

  • Max;

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Max era um paciente de Alex no hospital que a médica trabalhava, e foi transformado por ela numa tentativa de salvar a vida do garoto que já estava num avançado grau de enfermidade. Posteriormente, nós pudemos ver a cena em que Max está na cozinha de casa com os pais mortos, ele se alimentando do sangue da sua mãe, quando o ônibus escolar chega. Cenas pesadas que envolvem crianças sempre me deixam apreensiva com o que pode acontecer. Não que eu me impressione facilmente, mas porque, pra mim, crianças simbolizam (ou pelo menos deveriam) fragilidade e inocência. Claro que Max já não era tão criança assim, mas não poderia ser comparado com uma pessoa de maturidade também. Me chocou o fato de um garoto, mesmo que desprovido de inocência e fragilidade, agir com tamanha frieza e brutalidade. Vale ressaltar que Max transformou seus amigos de turma, juntos mataram professores e funcionários da escola e depois mentiram para a polícia, dizendo que terceiros haviam entrado no local e que eles se esconderam no ginásio por ser “um lugar seguro”.

Você não imagina, nem na pior das hipóteses, que uma criança poderia agir dessa maneira. Mesmo que infectada pelo vírus, visto que a dependência do sangue não influenciava as decisões que a pessoa poderiam tomar. Você pode até mencionar o comportamento de Valentino, Natacha ou Ramona quando atacaram suas vítimas, mas o casal não se alimentava a bastante tempo, e Ramona não sabia quando seria sua próxima refeição. O que talvez possa justificar a forma como atacaram as pessoas que logo apareceram como oportunidade. A cena de Max matando os pais, manipulando os colegas, invadindo a casa e matando aquela família, mentindo junto com todas aquelas crianças surpreende tanto quanto Holden tomando o sangue do cachorro da família.

  • Vendela e Agnetha;

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As duas turistas, Vendela e Agnetha, chegaram bem animadas no Cortez, pensando em filmes de Hollywood, achar atores famosos, parques de diversões. Claro que a entrada foi frustrante e acabaram ficando pelo hotel pela eternidade mesmo, disso a gente já sabe. Mas é claro que não tem como esquecer a cena do pilot Checking In. Caso você tenha acompanhado todas as novidades antes da temporada começar, sabe que foram inúmeros teasers de colchões aparecendo, e isso já estava perdendo a graça ao invés de acelerar os ânimos, mas eu acredito que toda a espera valeu a pena quando vi essa cena.

Sei que nem todo mundo se hospeda em hotéis quando viaja, geralmente se abrigam na casa de amigos, familiares, entre outros. Hoje em dia, hotéis não são mais exclusividade em hospedagem de turistas, mas é certo que quando você está em um lugar diferente do seu, você procura ao máximo aproveitar a estadia e se sentir bem. E as coisas começaram a dar errado no momento que ambas não gostaram do hotel mas tiveram que continuar lá. É horrível pensar que suas férias poderão ser desconfortáveis porque você pode odiar e/ou não se sentir confortável em um lugar que deveria ser de repouso e abrigo. Ao contrário disso, as garotas não tinha acesso à internet, celular nem um quarto decente. E incomodadas com o odor terrível que exalava ali, foram atrás do problema e uma criatura terrível sai de dentro da costura do colchão. Absurdo e desesperador.

Quando eu era criança, assim como todas as outras crianças, acreditava que de noite poderia existir um mundo paralelo debaixo da minha cama, e que dali poderiam sair monstros e os piores pesadelos disso. Mas de qualquer forma minha cama e os cobertores eram um refúgio, um lugar seguro pra dormir. E você cresce acreditando que uma cama é um lugar de descanso e tranquilo. É inimaginável, chocante e absurdo o quanto um lugar desconhecido, que deveria servir de repouso, pode ser inseguro e macabro quando você não sabe o que acontece ali. Talvez os monstros que as duas sonhavam estar debaixo da cama quando eram crianças fosse até menos assustador do que a criatura que elas tiveram que presenciar saindo de dentro do colchão.

  • F.W Murnau e Rudolph Valentino;

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Antes que se questionem por quê essa cena foi colocada no meio dessas dez cenas que separei, quero deixar claro que é uma das minhas favoritas na temporada. Há quem ache essa cena bonita, há quem diga que Flicker é um dos melhores episódios por conta da atuação surpreendente de Lady Gaga ou pela ousadia do roteiro e direção envolverem nomes reais na ficção.

Acontece que quando o personagem narra esta cena, ele se refere a ela como “lugares pelos Cárpatos”. E isso pode ser um tanto quanto diferente pra quem não é acostumado a ler estórias mitológicas, tão quanto acreditar nelas. Há inúmeras lendas e contos relacionados aos Cárpatos, tantas relacionadas à tantos segmentos que acaba se tornando um lugar com riqueza de lendas. Bruxos, ciganos, seres mitológicos, inclusive vampiros, tem contos nesse lugar. E o mais impressionante, ao meu ver, foi a forma como o personagem de F.W Murnau narrava isso para Valentino. A forma como se sentia encantado ao ver aquelas criaturas se relacionando, e maravilhado pelo vírus que corria em suas veias. O certo é que Valentino foi fisgado pela obsessão de juventude e glória eterna, chegando ao ponto de abrir mão da carreira pra ser lembrado pra sempre, mesmo depois da “decadência” do cinema mudo, e anunciou sua morte no lançamento do seu filme. Os planos foram interrompidos por March, sabemos disso, mas caso você nunca tenha parado pra pensar de onde todos os vampiros da temporada se originaram, talvez a resposta esteja nesta cena. A visão de Murnau dos vampiros nos Cárpatos o impressionou tanto que contagiou Valentino, depois Natacha, depois Condessa Elizabeth, entre inúmeros outros.

  • Scarlett;

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Até hoje eu fico me perguntando por quê a Sally fez isso. Claro que ela era sádica e fazia questão de ser sombria, mas acho que a situação não exigia isso dela. Foi uma cena de horror, claro. Mas eu confesso que ri bastante quando vi esse momento e depois me arrependi disso. Mas por quê foi uma cena de horror? Imagine que você seja uma criança de aproximadamente dez anos, que acha que viu o irmão desaparecido num hotel que seu pai está hospedado, dormindo em caixões de vidro, bebendo sangue. Claramente ninguém vai acreditar no que você diz. É claro que toda essa situação mexe com a cabeça de uma criança de dez anos, que mesmo acostumada a ver o sofrimento dos pais, sabe que precisa dizer o que viu, e sabe que vai ser repreendida por isso.

Uma criança não tem, nem deveria ter, uma estrutura emocional pra suportar tal situação. Tudo que ela menos vai querer é que surja um fantasma na sua frente e comece a aterrorizantemente quebrar e sangrar os dentes, dentro de um hotel macabro e num corredor vazio. A primeira reação seria correr, é claro, mesmo ouvindo as risadas atrás, e nunca mais querer voltar ali. Mas já que é a única que sabe daquilo e, se comparada ao pai, está sã, precisa suportar aquilo tudo, não se impressionar mais e voltar ali. Caso essa situação fosse real, quem se sentiria a vontade pra voltar pra um lugar onde fantasmas quebram os dentes na sua frente? Que criança estaria disposta a correr o risco de passar por qualquer situação parecida com essa novamente? Quem é capaz de aterrorizar uma criança dessa maneira?

  • Bartholomew; 

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No episódio Room 33 nós tivemos a oportunidade de matar um pouco a saudade da Murder House. Já sabíamos que teria um episódio lá, mas não sabíamos qual seria. A Condessa Elizabeth foi à Murder House se consultar com o Dr. Charles Montgomery, na intenção de fazer um aborto. Falar de aborto ainda é uma situação delicada, mesmo que retratada em ficção. E vale lembrar também que a época não era favorável a isso, bem menos que hoje em dia. Acontece que esse tal aborto não saiu como o planejado. Bartholomew tem o rosto deformado, atacou a enfermeira, apareceu na casa dos Lowe e foi o motivo da morte de Will Drake. 

Acontece que ninguém imaginou que a fisionomia de Bartholomew seria esta, nem que ele poderia atacar uma enfermeira ou sair do seu quarto do hotel. Muito menos que um bebê tão diferente poderia ser o motivo de amor e afeto de uma pessoa com frieza e indiferença como a Condessa. Pode ser que ela tenha aprendido a amá-lo com o passar dos anos, com o cuidado, mas com certeza pra ela foi um choque vê-lo. Crianças recém nascidas nos remete lembranças de fragilidade, serenidade, extrema atenção, emoção. Convenhamos que o diferente espanta a primeira vista, mas o que mais pode ser espantoso e surpreendente é a forma como o “diferente” pode ser uma única ligação de afeto que alguém tem.

 

Como foi dito logo no início do post, não há um ranking de melhores cenas, apenas dez que resolvi separar e trazê-las aqui. Um Top 10 de cenas pode ser feito em uma outra oportunidade, com estas ou talvez outras que não estão presentes aqui.
Até a próxima!

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