Confira a review do The Hollywood Reporter sobre o primeiro episódio de ‘Hotel’

As exibições da première da quinta temporada aos críticos renderam mais um review (leia a outra crítica traduzida aqui). Dessa vez o Hollywood Reporter apresentou impressões sobre o primeiro episódio de “Hotel”. Confira abaixo:

Porque Ryan Murphy e Brad Falchuck sempre estão interessados em subjetividade como Mad Men esteve interessado em dragões que cospem fogo, o primeiro episódio da nova temporada de American Horror Story, intitulada Hotel, começa com um uso crucial de “Hotel California” de The Eagles.

Veja bem, não sei se você já ouviu isso, mas no Hotel California, você pode fazer check-out na hora que quiser, mas jamais sairá. O mesmo parece acontecer no Hotel Cortez, o prédio no estilo art-déco no coração de Los Angeles é o centro de American Horror Story: Hotel, que começa com um insano, extra-grande episódio na noite de quarta-feira (7 de outubro), no FX.

Se o tema do último ano, Freak Show, foi muito frustante em termos literais do enredo junto da metáfora aberrações-não-são-bem-vindas para alguns telespectadores, Hotel será um ótimo retorno ao um enredo oblíquo, insanamente Freudiano e viciantes vozes baixas. Se, por acaso, você gosta dos capítulos de American Horror Story com uma verdade dramática e um casal de personagens simpáticos, você deve esperar por American Horror Story: Temporada Eleitoral, ou o que quer que aconteça em 2016.

Quando se fala no Hotel, é tudo a respeito do visual. Uma das primeiras vítimas, creditada apenas como Homem Pregado na Cabeceira, ainda sobrevive apesar de sua língua e olhos terem sido removidos, começando uma orgia de obsessão ocular. Eu tenho noção de que nenhuma outra série de TV em toda a história jamais usou tantos ângulos exagerados pelas lentes de olhar de peixe, vindas do olhos mágicos das portas do hotel, mas também do senso geral de sobrevivência no Hotel Cortez. Donovan de Matt Bomer gosta de lápis de olho masculino, a Liz Taylor de Denis O’Hare é obcecada com o estilo egípcio de Cleópatra e a personagem de Kathy Bates, através de seus enormes óculos, é chamada Iris. Existem coisas que você deve notar em American Horror Story: Hotel, pois se você não tiver conhecimento de tudo sobre Murphy e as várias influências de sua companhia, elas serão apenas mais óbvias da próxima vez.

Wes Bentley interpreta John Lowe – [nome que] possivelmente evoca imagens de anonimidade e de descida – um detetive que investiga uma série de assassinados ligados a uma voz misteriosa que o atormenta por telefone. O assassino está relacionado a uma tragédia pessoal do passado de John? Provavelmente. O assassino está relacionado ao bizarro homem-topeira careca usando um dildo encrustado de joias com qual estupra pessoas até a morte? Provavelmente não. E o que dizer de Donovan e sua parceira impecavelmente vestida A Condessa (Lady Gaga), que vive na cobertura do Cortez e aprecia filmes clássicos de terror, sexo grupal e derramamento de sangue? E quanto à misteriosa Sally Hipodérmica (Sarah Paulson), que parece vadiar pelo hotel despregada de uma era diferente na qual blazer com estampa de leopardo eram considerados estilosos?

Remetendo à oferta original de AHS (Murder House), a primeira parte de Hotel está determinada a fazer você se perguntar quais personagens estão vivos, quais personagens estão mortos, quais personagens são manifestações de um id mal nascido e quais personagens são apenas amigos de Ryan Murphy de passagem por um dia ou dois pelo que tenho certeza de que será um dos mais finos serviços confeccionados em Hollywood.

Não crie expectativas de respostas prematuras, pois parte do elenco fixo e semi-fixo incluindo Angela Bassett, Evan Peters e Finn Wittrock ainda irão aparecer. Na verdade, há aspectos inteiros de Hotel que já foram abundantemente discutidos – vários atores anunciados como intérpretes de famosos serial killers – que não são nem citados na primeira hora.

Além de ângulos de câmera excêntricos, edições de agitar o estômago, plasmas pulsantes e perversidade polimorfa, a melhor razão para assistir American Horror Story é sempre a possibilidade de ver quais jogos divertidos Murphy e Falchuk passaram para os atores jogarem, embora, comparado com Freak Show, esta [temporada] se parece menos com o uma vitrine tola de atuações.

Lady Gaga, efetivamente substituindo Jessica Lange, ganhou a maior parte da publicidade do início para seu início como intérprete. Depois de uma hora, ainda ficamos para ver como ela lidará com diálogos extensos e volatilidade emocional, mas ela inicialmente foi requisitada apenas para encarnar um conceito visual, o que ela fez de forma convincente. Ela desfila entre alta-costura com confiança, exibe uma quase nudez sem autoconsciência e possui uma semelhança feral com a estrela de “Nosferatus” Max Schreck, que pareceria acidental não fosse o fato de vários personagens assistirem a uma exibição em um cemitério do clássico de F. W. Murnau.

Bates está encarnando a rabugenta, Paulson a drogada e Bentley o intenso, o que os três atores fazem bem, ainda que isso possa parecer algo limitado. Dá até pra imaginar Paulson chegando e dizendo, “Depois de interpretar irmãs siamesas no ano passado, mal posso esperar o que me aguarda! Oh, cabelo frisado? OK!” Bomer e O’Hare estão glamourosos de formas diferentes e divertidas, e a mais memorável das performances da première vêm de Max Greenfield, como um viciado em heroína azarado.

Freak Show desenrolou como se Murphy e Falchuk tentassem angariar o maior número de indicações ao Emmy possíveis. O resultado foram seis nomeações, mas nenhuma estatueta. O alvo deste ano certamento será certamente o reconhecimento para o design de produção de Mark Worthington, cuja concretização do Hotel Cortez é tremenda e quase justifica a forma como Murphy tenta abranger o máximo possível de carpetes, passagens de portas e lustres em cada enquadramento. A continuidade do set é particularmente impressionante e podemos esperar que os próximos diretores de episódios irão ecoar o prazer de Murphy de deslizar para cima e para baixo por corredores e por lobbies. O Cortez não é um personagem em Hotel, é o show.

Eu só assisti duas das quatro temporadas de AHS – e isso não inclui Freak Show, que pensei ter tido o começo mais acessível de todas. Ainda no início, Hotel não me cativou com suas tramas, mas é sempre divertido ver o que a série faz com seu elenco e novas adições. Mudem para um grotesco mais “normal” e um visual mais exibicionista que isso deve me manter firme, apesar de que todo o humor parece que eles filtraram para Scream Queens. Se tem uma coisa que gosto sobre American Horror Story, é que, deixando tudo de lado, você sempre pode fazer check in – e diferente dos hóspedes do Hotel Cortez – também pode sair quando quiser.

Por Daniel Fienberg, The Hollywood Reporter

Tradução por Aloisio Kreischer, Gabriel Fernandes e Rafaela Tavares.

American Horror Story: Hotel estreia dia 7 de outubro, às 22h no canal FX nos Estados Unidos e às 00h no canal FX Brasil.

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