Denis O’Hare fala sobre Liz Taylor e ‘Hotel’ em nova entrevista

Em entrevista para o site The Daily Beast, Denis O’Hare falou sobre Liz Taylor, o seu personagem em AHS: Hotel e sobre como tem sido essa temporada para ele, Confira a entrevista traduzida por completo:

Tornando-se Elizabeth Taylor: Como Denis O’Hare criou o seu melhor personagem em ‘American Horror Story’ até agora.

 

Em American Horror Story, Denis O’Hare já interpretou um piromaníaco, um mudo sem língua, e um colecionador com um pênis gigante. Porém Elizabeth Taylor pode ser o seu melhor papel até agora.

Quando Lady Gaga está interpretando o seu primeiro grande papel, não é anormal que o nome de outra diva esteja aparecendo de mesma forma—se não mais—frequente. Mas é isso que acontece quando você escala Denis O’Hare para interpretar Elizabeth Taylor.

Denis não é nenhum estranho à papeis diferentes. Eles tem sido pares em seu caminho pelo mundo da atuação—ou melhor descrito como um teatro carnavalesco—que Ryan Murphy tem mantido vivo e aberto a negócios pelos últimos cinco anos para os atores mais emocionantes de Hollywood, Jessica Lange, Kathy Bates, Angela Basset e Denis O’Hare.

Até agora em AHS, ele já interpretou um piromaníaco possuído, um mordomo mudo sem língua, e um colecionador de aberrações de circo com um pênis gigante. Então para achar a misteriosa empregada de um hotel que vive sua vida inspirada no glamour e beleza de Elizabeth Taylor—ao ponto de se vestir igual ela, mudar seu nome e se identificar como ela—o seu papel mais diferente, e talvez o seu melhor em American Horror Story até hoje é realmente algo importante. Na série, Liz Taylor é um tipo de faz tudo ao estilo de AHS. (Ela pode fazer tudo o que Jack faz só que usando saltos, querida.)

Ela comanda a recepção. Ela comanda o bar. Ela lê Proust e conversa com os hospedes do hotel através de suas listas de angústias e problemas sobrenaturais. E, talvez o melhor de tudo, ela se move pelo Hotel Cortez com a confiança e fabulosidade necessárias para uma garota que irá trabalhar perto de Lady Gaga—sem falar em fazer jus ao nome Liz Taylor.

Com o drama de Liz e o Hotel Cortez prestes de atingir seu ponto alto no episódio da próxima quarta, nós conversamos com Denis sobre o papel mais diferente que ele já teve que interpretar, o que motiva Liz Taylor, trabalhando com Gaga, e sobre a sua primeira cena de sexo em American Horror Story.

 

O que o Ryan Murphy te falou sobre a Liz Taylor?

Ele nunca nos conta muitas coisas. Na maioria das vezes ele só nos fala como ele imagina o personagem visualmente. Então para Liz ele me enviou um e-mail dizendo, “Cabeça raspada. Olhos de Cleópatra. Lábios carnudos. Maravilhosa, ponto de exclamação!” E foi praticamente isso até quando eu cheguei no set. Ele estava dirigindo o episódio piloto para minha sorte, então claro eu o procurei e pedi mais informações. Eu também cheguei lá bem cedo e queria experimentar alguns figurinos apenas para sentir o que ele estava pensando. Eu também queria fazer um teste com a maquiagem, e eu filmei um vídeo para enviar para o Ryan. Ele enviou para todos os escritores e isso meio que se tornou um teste de câmera não oficial, de mim testando o personagem.

 

Qual foi a sua reação quando ouviu como o personagem seria? Não é uma oferta comum que um ator pode receber, e imagino que tenha algumas surpresas, ou talvez até medo.

Eu estava nervoso com certeza. Não é a minha área. Não era nada que eu já tivesse imaginado para mim. Não era o que eu estava esperando. Então eu realmente fiquei nervoso. Eu passei parte do tempo apenas pensando sobre o personagem e o contemplando. Eu nunca diria não, porque a) é o Ryan e eu amo trabalhar para ele e b) eu amo um desafio. Então qualquer coisa que te dão, você deve fazer.

 

Quando você tem um personagem como este, como você a interpreta de forma que ela seja mais que apenas uma piada ou alguém que procura atenção. Como você a faz humana e não uma caricatura, quando eu tenho certeza que existe essa tentação?

É desta maneira que eu interpreto todos os personagens, não importa quem eles são. Você como ator tem que estar do lado deles, tem que ser o seu defensor. Você nunca os julga. Os personagens estão sempre certos. Eles nunca podem pensar de sí mesmos estando errados. Como alguém como a Liz, as coisas que preciso saber são básicas. O que ela quer? Para aonde ela vai? Do que ela tem medo? É engraçado porque eu realmente não procuro entender eles de fora para dentro. Eu sempre procuro trabalhar o personagem de dentro para fora. Me ponha de saltos e de vestido e isso afetará o jeito que eu ando. Mas eu não passo muito tempo tentando inventar uma maneira de andar que seja divertida ou apropriada. Eu deixo a personagem me dizer quem ela é.

 

Quando que você entendeu isso?

Uma coisa que eu tinha minha opinião sobre e que fiquei muito feliz que os escritores e Ryan gostaram, foi que eu disse no começo que ela não é superficial, ela não é estupida, ela não é fútil, ela não é malvada. Ela é inteligente. Quando ela está sentada na recepção eu não a quero lendo revistas. Ela está lendo James Joyce e Proust em francês e as Meditações de Marcus Aurelius e O Declínio e Ascensão do Império Romano. Eu quero que ela leia livros intelectuais porque eu acho que ela é uma pessoa intensa, intelectualmente como também em seu estilo. E eles amaram a ideia. Então eu amo que na primeira vez que você a vê ela está lendo Ulysses de James Joyce.

 

Vamos falar sobre o estilo. Você tem trabalhado com a trupe de atores de AHS por anos. O que eles acharam?

Eu sempre me certifico de que quando vou filmar, eu apareço vestido a caráter. Eu não quero chegar no set com minhas roupas normais, especialmente com um personagem assim. Todos ficaram maravilhados quando eu entrei pela primeira vez. Eu lembro que fiz uma cena com Sarah  Paulson e ela ficou “Oh. Meu. Deus!” E a primeira vez que conheci Stefani, Lady Gaga, eu tinha que estar vestido a caráter. Eu tinha que estar todo maquiado. Eu tinha que estar usando saltos. Eu não iria conhece-la sem estar vestido apropriadamente.

 

O que você pensou quando se viu pela primeira vez vestido como o personagem?

Em termos de se vestir, experimentar o figurino é sempre bom. Lou Eyrich é uma cliente fenomenal, ela demora para achar. Nós demoramos para achar. Nós experimentamos muitas coisas. Eu acho que estava me direcionando mais para roupas apertadas porque [risos] eu perdi um pouco de peso e estava malhando e pensava “Eu quero mostrar essas pernas!” Ela estava escolhendo coisas mais delicadas. Eu falei, “Ok, pode ser delicado, mas tem que ser transparente e não opaco.” Eu tenho que dizer que quando começo a por roupas de mulher eu fico muito orgulhoso. Eu fico, “A minha bunda fica bonita nisso? O que isso faz comigo?”

 

Eu amo o fato de você ter conhecido Lady Gaga vestido de Liz Taylor.

Oh, claro. Eu tinha que estar. Ela ama. Ela falava, “Oh meu Deus. Você está divina. Maravilhosa!”

 

Nós vimos um pouco da Liz Taylor até agora. Eu sei que muitas pessoas ao te assistirem, talvez por causa das outras temporadas de AHS ou True Blodd, eles esperam características mais vilanescas dos personagens que você interpreta. A Liz é uma vilã? Nós ainda não sabemos se ela é boa ou má.

Você sabe, eu diria que ela é definitivamente do lado bom. Eu ainda completaria dizendo que todo mundo em American Horror Story, especialmente em Hotel, está apenas tentando sobreviver. Todos estão apenas tentando acordar intactos na manhã seguinte. Então ela está em modo de sobrevivência, mas ela também é ferozmente leal. Ela tem um código moral bem forte. Ela é uma pessoa ética. E ela é romântica! O que ela está realmente procurando é viver uma vida feliz e completa. E na metade da temporada ela achará o amor, que é a primeira vez para mim nesta série. E isto é maravilhoso.

 

Você tem alguma daquelas cenas de sexo características de American Horror Story?

Eu com certeza tenho uma cena de sexo. Com certeza!

 

Se compara com a orgia de Lady Gaga e Matt Bomer do primeiro episódio?

Deixe-me apenas dizer que tenho 53 anos de idade. Eu estou em boa forma, mas tenho 53 anos. Então honestamente quanto de mim você quer realmente ver? Pelo menos o meu parceiro de cena é mais novo que isto, e muito, muito atraente. Então todos ficarão felizes.

 

Eu queria te perguntar como tem sido trabalhar com Lady Gaga. Até agora, todos tem dito que ela é uma ótima colega de trabalho. Mas estou curioso para saber como que é a energia de alguém a altura dela nos sets.

Eu tenho que dizer que ela realmente tem sido uma ótima colega de trabalho. Não parece nada especial ao redor dela. Ela não pede nenhum tratamento especial, como ela também não recebe. Ela é uma jogadora no meio de jogadores, e é ótimo. É bom para ela. É bom pra nós. É um set bastante confortável. E ao mesmo tempo, é um set bastante exigente. Quando você vai trabalhar você realmente tem que dar o melhor de sí. É realmente um grupo feroz de pessoas. Nós todos temos um monte de ideias. Nós chegamos prontos para arrasar na primeira cena. E ela sabe disso, e ela chega neste nível de preparação. Ela está apenas ao nosso lado. Não tem nenhuma cadeira especial. Não tem nenhum tipo de tratamento especial. Ela é incrivelmente confortável e pé no chão.

 

Você já fez várias temporadas de American Horror Story. Você sente que esta é diferente?

Tem sido realmente muito bom todas as temporadas. Mas essa realmente parece especial. Nenhum de nós pode apontar defeitos nela, parece que ela explodiu e voltou formando dessa maneira feroz. Nós completamente confiamos um nos outro. Você vai até aonde tem que ir. Pessoas fazem coisas insanas em cena. Um trabalho magnífico. Nós todos assistimos uns aos outros. Os câmeras! Eu filmei uma cena e um dos câmeras me olhou e me fez um sinal de positivo e um coração! Todos estão envolvidos. Não somos apenas nós. São os câmeras. O eletricista. Os caras do som. Eu não me lembro quantos deles chegaram perto de mim depois de uma cena e falaram, “Cara. Essa série é insana, mas depois de trabalhar com isso como que você volta para CSI?”

 

Há! É um ótimo ponto de vista.

Eu só quero relatar outro ponto porque é um ponto importante. Mais no começo da temporada quando ainda estava conversando sobre o personagem eu a chamava de drag queen. Eu sei que não é certo. E eu não sabia até quando começamos a filmar. Os escritores talvez sabiam, mas eles também evoluíram. O que sabemos é que Liz Taylor acha que é uma mulher. Ela é alguém que não tem um gênero específico e é alguém que sabe o que é. Eu não sei se o mundo seria capaz de rotulá-la. Mas ela sabe o que é, e ela esta definitivamente em uma jornada.

Tradução por Aloisio Kreischer.

O próximo episódio de American Horror Story: Hotel, “Room 33” vai ao ar na próxima quarta-feira, às 22h no FX americano e na próxima quinta, às 00h no FX Brasil.

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