Denis O’Hare fala sobre seu papel em ‘Hotel’ em nova entrevista

Denis O’Hare concedeu uma entrevista ao Yahoo! TV aonde comentou os acontecimentos do último episódio de AHS: Hotel, “Room 33”. Confira a entrevista traduzida:

A quarta vez é a melhor para Denis O’Hare quando se trata de American Horror Story.

O ator, estabelecido em Portland sempre teve momentos memoráveis na série—Um queimado/perseguidor ex-amante de Constance, um mordomo mudo, um colecionador de aberrações – porém, a transexual recepcionista/bartender/babá de bebês monstros Liz Taylor, com seus sapatos de salto alto, maquiagem intensa nos olhos, com suas respostas sempre prontas na ponta da língua, e momentos de vulnerabilidade intensa, será inesquecível mesmo após o final de Hotel.

Denis conversou com o Yahoo TV sobre as origens do personagem, o estilo de Liz, aprendendo a viver como uma mulher, a importância de interpretar alguém em uma jornada de transição de gênero, e até aonde Liz irá agora que a Condessa tirou o seu “único grande amor”.

Como que te explicaram pela primeira vez o seu personagem, Liz Taylor?

O Ryan sempre começa com uma inspiração enorme em suas pesquisas. Ele falou comigo sobre a Liz pela primeira vez em janeiro. Ele esteve pesquisando sobre uma drag queen que morreu em um incêndio dentro de uma discoteca na Alemanha nos anos 70. Aquela foi uma figura trágica, então ela pode morrer em um incêndio no hotel e assombrar. Ou talvez ela seja uma drag queen serial killer. Obviamente isto foi descartado.

Então eu recebi um e-mail perguntando se eu gostaria de interpretar um personagem. Ela tem a cabeça raspada, olhos de Cleópatra, lábios carnudos – maravilhosa. A minha imaginação correu solta. Não foi antes da primeira vez que cheguei nos sets em L.A. e experimentei os figurinos da temporada que comecei a entender ela.

Ela foi sempre inspirada por Elizabeth Taylor?

Nós exploramos outras pessoas: cantores e figuras. Mas eu sabia que seria Liz quando eu experimentei o meu figurino pela primeira vez. Eu assisti Butterfield 8 e Cleópatra de novo para tentar ver como ela se movia e para tentar imitar o seu jeito a fim de personifica-la. Eu me mantive longe de Who´s Afraid Of Virginia Woolf?

Como que o personagem evoluiu?

A partir do momento em que recebemos os scripts e começamos a filmar, as coisas mudam por todos os motivos. Elas mudam porque os escritores estão tentando balancear personagens ou histórias. Elas mudam porque os escritores começam a ver o que estamos fazendo, e eles começam a escrever de acordo com os nossos pontos fortes ou com o que é melhor na frente das câmeras conforme eles vão conhecendo os personagens, os atores, e o set. É uma grande troca de feedback.

Teve algum detalhe da aparência dela, de sua história, que você adicionou?

Eu quero deixar claro que eles que criam. Nós não temos muita opinião em quem o personagem é, ou o que ele faz ou fala. Eu tive uma sugestão que eles acabaram aceitando, e eu fiquei muito feliz por isso. Eu não queria que ela fosse uma garota vulgar e superficial que fica lendo revistas de fofoca. Eu pensei que era melhor que ela lesse literatura na recepção porque ela é inteligente é tem uma sede se ser cada vez melhor. Então eu lí Karl Marx, Ulysses, Candide.

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Você tem que vestir uma variedade de vestidos, sapatos de salto alto, brincos.


O look esbanja drama. Especialmente ao atravessar os corredores e virar nas esquinas. Eu amo!

O que você fez para se preparar para esta parte do personagem? Você raspou a sua cabeça mesmo?

Raspar a cabeça foi a primeira coisa que o Ryan disse que eu tinha que fazer, e eu não tive nenhum problema com isso. O cabelo cresce de volta. Eu já fiz isso alguns anos atrás para outra produção. De certa maneira, eu sempre desejei que alguém me pedisse para fazer de novo, porque ser pedido para fazer coisas extravagantes é divertido.

Você furou as suas orelhas? Eu percebi que você usou brincos na estreia de Hotel.

A minha orelha esquerda é furada. Eu a furei anos atrás em Chicago. Tinha uma cena originalmente com a Condessa aonde ela iria furar as minhas orelhas ao me transformar, e até teria sangue. Eu disse, “Nós poderíamos fingir na minha orelha que já está furada.” E Stefani [Lady Gaga] disse, “Oooh, me deixe furar a outra orelha ao vivo em câmera.” Mas então percebemos que já tínhamos estabelecido que ela só usaria brincos de encaixar, então esta cena foi descartada.

Qual é o detalhe mais difícil para interpretar Liz? Você já teve alguma emergência com looks? Deve ser difícil andar em cima daqueles saltos altíssimos dourados.

Aqueles são os meus Louboutins, querido. Os saltos vieram…. Eu não diria facilmente, porém rápido. Eu guardei comigo um par aonde estou vivendo em L.A. durante as filmagens, e eu os uso de vez em quando dentro de casa. Se eu estou os usando em uma cena, eu fico com eles durante todo o ensaio o dia todo até que meus pés estejam me matando. As plataformas são fáceis para mim agora. Eu as usei ontem para uma coletiva de imprensa como uma brincadeira. É um aprendizado, você tem sempre que praticar.
Eu acho que as emoções e os sentimentos são mais difíceis que os looks. E quado nós prosseguímos com a história, nós descobrimos que ela não é uma drag queen. Ela se sente uma mulher. Ela está em uma jornada de mudança de sexo. E isto é completamente diferente de ser uma drag queen, então isto foi um grande ajuste que tive que fazer. Este é o aspecto no qual eu preciso de mais ajuda e mais prática. A boa notícia é, assim como o personagem também precisa. Ela está sofrendo para ser convincente como uma mulher. Assim como eu. Este é um truque de atuação que desenvolvi anos atrás. De deixar o personagem e o ator terem o mesmo problema.

Nós finalmente vimos o começo de sua jornada e como que ela chegou a precisar da ajuda da Condessa. Foi lindo e emocionante. Você pode falar um pouco sobre filmar aquela cena?

Eu acho que aquela cena foi tão boa porque foi uma transformação bem chocante. Eles acharam um look masculino bem distinto, mas também era um look estranho que parecia ter algo errado. A cena que você vê de mim com minha esposa e filho é tão triste. Não era com a intenção de fazer chacota ou de ser engraçado. Ele apenas errou em se casar. Ele, assim como muitas pessoas, estava preso e não tinha muitas opções. É uma história de felicidade – ele está finalmente se libertando – é também uma história de dor. Ele está deixando uma vida para trás e causando danos. Ele se aprisionou em outro mundo agora. O Hotel Cortez não é Shangri-La.

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E de certa forma, você foi de uma jaula para outra, porque sempre tem alguma coisa por trás quando a Condessa ajuda.

Certamente. Mas eu mão tenho certeza que ela teve muita escolha. Quando ela é flagrada por seus colegas de trabalho, eles a ameaçam de contar para sua esposa e os colegas no trabalho. Aonde isso o deixa? Ele tem suicídio ou começar tudo de novo em outra cidade. De qualquer maneira, a sua vida de antes está acabada.

Ele é muito grato a Condessa pelo o que ela fez por ele, porém ele também vê o que ela faz e como ela machuca as pessoas, e ele sabe dos terrores que estão acontecendo no hotel. E certamente no fim deste episódio, com o que aconteceu com Tristan após ele ter tentado checar em um acordo com ela, a relação deles dois muda de alguma forma.

Você teve algumas das melhores falas nessa temporada. Você tem alguma preferida?

A minha favorita foi descartada. Era na cena que Iris e eu estávamos conversando, e ela disse, “ Quando eu olho para você, tudo o que tenho são perguntas.” Eu disse, “Pois pergunte. Você não pode me ofender.” Ela apontou para o meu saco e disse, “O que está acontecendo aí em baixo? Você esconde o seu pênis entre as pernas?” E a minha resposta era brilhante. “Esconder é bárbaro; eu divido.” Eles cortaram aquela parte, para a minha sorte.

Eu também amo quando o Wes estava dando em cima de Aileen Wuornos, e eu disse, “John querido, você está bêbado demais para ver quão feia essa mulher é.” O que eu gosto é que suas falas sempre querem dizer outra coisa. Ela não está apenas sendo chata. Ela está dando conselhos ou lembrando. Não é apenas conversa fiada.

Tendo dito isso, Liz não parecia estar ligada as políticas do hotel no começo. Mas com o passar das semanas, nós vimos Liz tentando animar Matt Bomer após ele ter terminado com a Condessa; tentando proteger o personagem de Wes Bentley do bebê monstro, de uma serial killer, de Sarah Paulson; e dele mesmo; vimos ela motivar Kathy Bates a não desistir; e encorajar Finn Wittrock a começar a ler. Será que ela foi mal compreendida no começo? Será que está virando uma nova página?

Eu acho que é mais o fato do personagem se desenvolver lentamente. Tem muitas partes da histórias a serem contadas, então até que a história de Liz fosse revelada, nós não sabíamos muito sobre ela. Mas também acho importante constatar que ela que ela sempre está lá. Ela está sempre disposta a falar ou ouvir, mas ela não é muito vista pelos outros. Ela disse algo sobre isso, “Eu estive aqui o tempo todo. Tudo o que você tinha que fazer era olhar.”

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Com Caitlin Jenner, Transparent, bullying, e até o problema do casamento gay, este é o assunto do momento, e o seu flashback, suas cenas com Finn essa semana, e o seu personagem de modo geral falam bastante sobre o que é ser trans. Como você se sente interpretando um personagem assim?

Brad [Falchuck] e Ryan sempre fazem muito mais do que apenas uma série de gêneros, e é ótimo fazer parte disso. Eles sempre falam sobre assuntos tabus, e até com Glee e Nip/Tuck, eles estão sempre na comissão de frente para aumentar ainda mais as conversas sobre tais assuntos. Como em Coven, eu achava que eles estavam falando sobre bruxas, mas também sobre como é para uma mulher envelhecer nesta cultura e também como as mulheres são desvalorizadas com frequência por conta de sua idade ou aparência. Freak Show sobre questionar o que é normal.

Este ano trata o tópico dos transgêneros, mas é também sobre família. Tem todas aquelas relações de mãe e filho e pai e filho. Eu tenho um filho, e este problema provavelmente voltará. A coisa boa sobre Liz é que estamos mostrando o problema do transgênero mas estamos fazendo a sua jornada mais universal. Ela quer ser amada. Ela quer achar a felicidade e um propósito. Agora ela perdeu o amor. Todos podemos nos relacionar com estas coisas, e por mostrar que todos os seres humanos têm os mesmos problemas, é assim que crescemos.

Sobre aquele amor perdido, foi como algo que você sabia que iria acontecer. Ramona o aconselhou a fugir. Tristan hesitou em contar. Liz tinha que saber que não terminaria bem, e mesmo assim ele insistiu em ser honesto sobre o relacionamento.

Finn e eu estávamos conversando sobre como affairs são deliciosos, e é porque eles não são reais.

Mais à frente, você verá que ela quer resolver assuntos pendentes. É uma viagem para longe da vida real ou dos problemas. Eu acho que ele achou que poderia ser feliz e que ela o deixaria após tantos anos de trabalho. Porém o amor sempre se desgasta. O que a Condessa fez por Liz foi preservar para sempre o melhor momento daquele amor. Ela o fez um viúvo e o deu de presente uma memória do seu perfeito amor. É uma ideia incrível.

Será que ela irá enxergar dessa maneira ou será que irá se juntar a Ramona e Iris na vingança? Você pode nos dizer para aonde ela vai daqui em diante?

Bom, primeiro vem o luto. Ela tem que passar por aquilo, e então veremos o que virá. Com certeza, ela vai querer fazer algo. Eu obviamente não posso falar muita coisa, mas em termos da natureza humana, faria sentido que ela ficaria com raiva e fosse fazer alguma coisa. Mais a diante, você descobrirá que ela quer resolver assuntos pendentes.

 

American Horror Story: Hotel vai ao ar todas as quartas, às 22h no FX americano e todas as quintas, às 0h no FX Brasil.

  • Incubus Of Norway

    Liz Taylor é uma personagem fascinante… Não tenho palavras para descrever a beleza construída nessa lindíssima transgênero que encanta, ensina e quebra tabus. Amo.