Especulações: O que pensar sobre o culto e os palhaços da 7ª Temporada?

Culto, palhaços, abelhas e política. Essas são as prováveis palavras-chaves da sétima temporada. Ao menos é o que indicam o material oficial e as revelações do produtor Ryan Murphy divulgados até o momento. Ao contrário do ano passado, em que os espectadores de “American Horror Story” foram obrigados a ocupar seu tempo em resolver um quebra-cabeça composto por vídeos promocionais e assim descobrir qual subtítulo misterioso seguiria o nome da série, desde a noite de 20 de julho (madrugada de 21 de julho para quem vive no Brasil) já conhecemos o tema de 2017: “Cult“.

Histórias reais e fictícias sobre seitas destrutivas há anos inspiram fãs do seriado a torcer para que o eixo de uma temporada fosse uma sociedade secreta maligna. Agora que o desejo será realizado, o que podemos esperar? Experiências prévias com o seriado apontam para a procura de dicas em imagens de divulgação ou teasers, e para o lançamento de um olhar para fatos verídicos e filmes que possam se relacionar com os elementos do material de divulgação. O início da campanha do seriado sempre empolga o público e aguça o lado especulador de cada fã. Nós fomos contaminados por esse sentimento e temos duas especulações para dividir com vocês.

CULT
O que representa a palavra inglesa “cult“? Um grupo de pessoas, às vezes reunido em uma comunidade, cujas crenças são consideradas extremas ou estranhas por outras pessoas. O que diz o material promocional a respeito de seitas? O vídeo utilizado para divulgar o subtítulo da temporada e o segundo teaser mostram pessoas maquiadas como palhaços e com adereços dessas figuras. As cores da pintura facial são sempre as da bandeira norte-americana: azul, branco e vermelho. O grupo se movimenta de forma quase sincronizada, o que denota a dinâmica de união e atos coordenados. Entre eles, sempre uma figura feminina se destoa do resto – seria uma infiltrada?

No teaser, uma voz entoa frases como uma convocação. Elas procuram seduzir alguém a integrar uma seita: “Você às vezes se sente só? Parece que ninguém realmente lhe entende? Algumas pessoas lhe deixam enojado? Você sente medo? Nós podemos lhe libertar. Nós iremos lhe fortalecer. Nós queremos você!” (Destaque para a última frase, “We Want You””, que lembra os pôsteres do Tio Sam com as palavras “I Want You!”, usado pela primeira vez na Guerra anglo-americana de 1812 como símbolo de recrutamento para o exército norte-americano.) Alguns dos palhaços portam instrumentos que podem servir para atos violentos, como machados e marretas. No primeiro vídeo divulgado, uma das figuras dispara abelhas pela boca, o que dá ao grupo um ar de ocultismo e faz o aficionado por terror pensar em filmes como “Candyman”.

Grupo de pessoas? Sim. Sinais de extremismo e estranheza? Sim. Temos um vislumbre da nossa seita.

FAMÍLIA
Quais exemplos históricos se enquadram no termo “culto” e em “American Horror Story“? Se pensamos em um seriado de terror é inevitável lembrarmos de exemplos célebres de seitas marcadas pelo macabro. Uma das mais infames delas certamente é chamada Família Manson . O grupo californiano encabeçado por Charles Manson se assemelhava a uma comunidade hippie do tipo que surgia nos Estados Unidos na segunda metade da década de 1960.

Eles tinham sua base em um rancho chamado Spahn Movie Ranch, um antigo set decadente para produções cinematográficas onde os membros do grupo se reuniam. No local, o uso de drogas e sexo livre eram práticas comuns. Os integrantes da seita eram, na maioria, jovens rebeldes que queriam contrariar os pais e o establishment. O que os diferenciava de outras comunidades hippies eram as ideias de seu líder. Manson sonhava, por exemplo, em instalar o que chamava de “Helter Skelter” nos Estados Unidos. Na mente do guru da Família, a expressão, título de uma canção do conjunto inglês The Beatles, significaria uma guerra racial apocalíptica entre brancos e negros. Vale lembrar que os anos 1960 eram o período das lutas pelos direitos civis pelos negros, cansados de políticas de segregação. A mobilização nem sempre era bem aceita pelos brancos radicais – ou, melhor dizer, quase nunca.

A Família começou a praticar assassinatos – mais famoso dele foi o da atriz Sharon Tate. Em alguns dos casos, os homicídios eram cometidos com o objetivo de culpar negros pelos crimes e inflamar a comunidade branca contra eles. Manson, chefe da conspiração, foi condenado à morte em 1971, com a pena transformada mais tarde em prisão perpétua. Apesar de influenciar outros membros do grupo, ele alega não ter participado fisicamente dos homicídios.

ESPECULAÇÕES #1
Vamos começar com as especulações? Até o momento, os seguidores de Manson são o grupo que mais consigo associar com as possibilidades prenunciadas pela temporada. Os membros da Família eram jovens como grande parte do elenco de “Cult”: Evan Peters, Billie Lourd, Colton Haynes, Alison Pill. Um deles pode ser o líder louco e carismático (e eu colocaria minhas apostas em Peters, ou melhor, em Kai, como chamará seu personagem).

Os seguidores de Manson se sentiam rejeitados pela sociedade, como o tipo de pessoa que a convocação do teaser procura atrair (“Você às vezes se sente só? Parece que ninguém realmente lhe entende? Algumas pessoas lhe deixam enojado? Você sente medo?“). Eles procuravam liberdade, uma oferta feita no material promocional da sétima temporada.

O contexto histórico mudou. O auge da luta pelos direitos civis dos negros ficou há quase 50 anos no passado. Porém, atualmente movimentos conservadores e racistas (com não só negros como também imigrantes hispânicos como alvo) ganham força nos Estados Unidos, sobretudo com discursos anti-imigração de políticos como Donald Trump. Ryan Murphy já anunciou que a política terá importância na trama do seriado, com atos horrendos coincidindo com a noite das eleições americanas de 2016, o que ele chamou de “pesadelo dentro de pesadelo”.

O culto do seriado poderia ser uma versão modernizada da Família. Em vez de hippies de cabelos longos, os membros do culto podem ser hipsters de cabelos coloridos, tingidos de azul, platinado (branco) e vermelho. Em vez de querer implantar a guerra apocalíptica entre brancos e negros, eles são nacionalistas e têm latinos como alvo (Vale lembrar que imagens de divulgação mostravam cartazes que pediam justiça por alguém chamado Pedro, um nome hispânico).

PALHAÇOS


A história de “Cult” se passa em 2016, ano em que palhaços se tornaram notícias. Foram relatados incidentes nos Estados Unidos – e posteriormente em outras partes do mundo – sobre pessoas fantasiadas de palhaços malignos.

Eles surgiam em ruas, margens de florestas, escolas. Em alguns casos, testemunhas falavam sobre ameaças, violência física e roubos, porém, em outros, o único incômodo era o mal-estar causado pela figura dos palhaços. Coulrofobia (medo de palhaços) é uma fobia comum (os comentários de fãs de “American Horror Story” nas notícias recentes que o digam!). Filmagens de alguns dos casos foram parar na internet e viralizaram.

A história da sétima temporada se passa no estado de Michigan. Em 22 de setembro do ano passado, um dos casos envolvendo palhaços foram denunciados em Vermontville. Em outubro, estudantes de Allegan County, no mesmo estado, foram perseguidos por um palhaço. No mesmo mês, um jovem chamado Chris Henckel avistou um palhaço em um lava a jato de Detroit às 3h. Ele chegou a publicar um vídeo do encontro no Twitter.

No dia 4 de outubro, ataques foram relatados em Sterling Heights, subúrbio de Detroit. Uma criança teve o braço arranhado por uma pessoa de gênero não definido com cabelos vermelhos e nariz de palhaço. No mesmo dia, duas mulheres disseram ter sido abordadas por homens com máscaras de palhaço e um bastão de basebol.

ESPECULAÇÃO #2
Não seria de se espantar se Ryan Murphy se aproveitasse da histeria coletiva causada mundial pelos incidentes envolvendo palhaços e se baseasse nos casos para criar parte do modus operandi dos palhaços do grupo da sétima temporada. O produtor do seriado já divulgou fotos que mostravam uma história em quadrinho com o palhaço mais famoso a aparecer em “American Horror Story”: Twisty (interpretado por John Carroll Lynch), personagem assassino de “Freak Show”.

Algum dos personagens poderia se basear na violência e na aparência da máscara de Twisty. O cinema de terror também é povoado por uma série de palhaços macabros que podem servir de referência para maquiagens e cenas: o Pennywise de “It – Uma Obra-Prima do Medo” (aliás, o teaser divulgado pela FX latino-americana, com um balão vermelho entre vários balões brancos lembra muito “It”), os alienígenas de “Palhaços Assassinos”, Killjoy de “Killjoy”, os vilões de “Palhaço Assassino”, Captain Spaulding de “Rejeitados pelo Diabo”. Fora da ficção, temos um exemplar famoso de palhaço-assassino: John Wayne Gacy, que aliás teve uma participação em Hotel (interpretado também por John Carroll Lynch).

NÓS QUEREMOS VOCÊS!
Especular não mata ninguém e é o passatempo favorito do fã de AHS que sofre/espera pela estreia da próxima temporada, em 5 de setembro. Você também tem alguma teoria baseada no que já foi divulgado? Compartilhe com a gente nos comentários. Até o primeiro episódio de “Cult” teremos vários teasers e prometemos analisar todos eles.

  • Pode ser que seja uma viagem na maionese, mas palhaços e abelhas me fazem lembrar muito de Freak Show. Não só por Twisty, mas por todo o contexto da temporada mesmo. Primeiro porque Jessica Lange, a eterna rainha da série, já foi chamada de “abelha rainha” por Angela Bassett. E dps, vamos lembrar que Elsa Mars entoa “Life on Mars”, de David Bowie, no primeiro e último episódios da quarta temporada e que na segunda metade da canção diz: “It’s on America’s tortured brow. That Mickey Mouse has grown up a cow. […] Rule Britannia is out of bounds to my mother, my dog, and clowns”. Pode ser que seja uma dica de Cult? Talvez; além disso, durante sua apresentação é possível vermos a atriz pintada de palhaço e sentada na cadeira da platéia, como se estivesse assistindo a própria performance. É interessante ressaltar também que Frances Conroy assiste essa apresentação da platéia e estará presente em Cult. Coincidência? Talvez. Mas sem dúvidas não tem como não lembrar de Twisty e Dandy, que pra mim foram os dois psicopatas da temporada. Para finalizar, sabemos que abelhas e cigarras são símbolos de ocultismo, então não me surpreende que abelhas estejam presentes no meio do Cult. Por enquanto só…

    • Pedro Henrique F

      Super verdade essa parte da Jessica, embora eu ache que ela nunca irá voltar (pelo menos até o final da última temporada). Realmente esse trecho de Bowie em Freakshow podia ser um prenuncio sobre a xenofobia que irá ser tema da nova temporada, assim como ela se sentindo humilhada vestida de palhaço, o que não fez o menor sentido apesar da super apresentação artística de Life on Mars se passava na cabeça dela e ela ser justamente uma imigrante da Alemanha na época nazista. Sobre o Dandy e a Frances não aposto neles por enquanto, já que o ancestral deles foi mencionado na temporada passada, creio que talvez o negócio de família seja citado mais la pra frente. Espero sinceramente que a Elsa não tenha nada a ver com isso kkk

  • Brian Correia

    Acho que Twisty virou uma inspiração. A história de sofrimento e solidão dele, adjunto ao seu histórico violento, podem ter incitado algum grupo de pessoas a criar uma seita inspirada na história do palhaço. Sabemos que ele fica famoso através dos quadrinhos, e, para mim, as abelhas têm uma conotação relacionada ao trabalho em equipe, à cooperação. Talvez estejamos lidando com um grupo que, assim como a “Baleia Azul”, aproveita das mágoas internas das pessoas (que pode ser desde uma solidão até um perigoso preconceito) para recrutá-las a fim de criar uma grande rede colaborativa de violências.

  • Pedro Henrique F

    Seria interessante acrescentar ao post que a música de Candyman era o tema da Lana Winters em Asylum! https://www.youtube.com/watch?v=pdJ0UJcY_Ew

  • Gabriel Fernandes

    Sobre as abelhas: elas são animais comunitários com uma estrutura social rígida baseada em funções (operários, soldados, e, significativo, uma rainha). Talvez o culto da série se divida dessa forma, usando uma colméia como metáfora pra essa “comunidade” (o/a líder do culto seria a rainha, os que fazem o trabalho sujo os zangões/soldados, etc)