Evan Peters fala sobre o plot twist de ‘Holes’ e o que esperar do restante de Cult

Nessa semana, os espectadores de AHS: Cult receberam informações muito importantes sobre Kai (Evan Peters): seus pais estão basicamente apodrecendo no quarto do andar de cima e seu irmão é o psiquiatra Dr. Vincent (Cheyenne Jackson). Kai também teve um dos seus momentos mais aterrorizantes neste episódio, quando pressionou seus seguidores a matar um dos seus com uma pistola de pregos.
A Entertainment Weekly conversou com Evan Peters sobre o terror do último episódio, a incrível cena da máscara de Cheetos e como foi trabalhar com Lena Dunham, num episódio que ainda será exibido.

EW: Quem decidiu sobre o cabelo azul do Kai?

EVAN PETERS: Originalmente, foi ideia minha. Lembro de assistir a um filme chamado SLC Punk, e sempre associei Detroit a esse cenário punk rock. Havia algo meio assustador, mas ao mesmo tempo, sedutor e meio que oculto sobre cabelo azul. E olhando ao meu redor acabei vendo tantas pessoas com cabelo azul – fiquei chocado! Eu fiquei tipo, “é um sinal, preciso fazer isso”. Todo mundo tem cabelo castanho, cabelo loiro, cabelo ruivo. Então foi algo para destruir o que estava acontecendo em todos os lugares – o que é normal – e criar algo novo. Essa foi a lógica por trás disso.

EW: Quando você ficou sabendo que interpretaria o líder de uma seita, pesquisou sobre Charles Manson e David Koresh?

EP: Com certeza! Eu li muitos livros. Li Seductive Poison, que é sobre um sobrevivente do massacre de Jonestown. Li Combating Cult Mind Control, que é um excelente livro para ajudar pessoas a saírem de seitas. Li um ótimo livro chamado The Art of Seduction. Assisti o máximo de documentários que consegui sobre seitas – um maravilhoso para assistir é Holy Hell, que está disponível na Netflix.

EW: O que você mais vai lembrar ou o que aprendeu sobre esse tipo de líderes? Que eles se alimentam na fraqueza das pessoas?

EP: É exatamente isso que eles fazem. Geralmente são pessoas educadas, curiosamente. E inteligentes. Querem alguém para liderar por eles. Portanto, esses líderes geralmente isolam todos e mantêm informações do mundo exterior, e o líder sempre está certo. Eles encontram feridas e acham fraquezas, as abrem, e podem te confundir e envergonhar. Por outro lado, podem ser muito agradáveis com você e motivá-lo, mas está tudo na veia de sua causa. Outra coisa que fazem é que privá-lo do sono para que você não pense com clareza. Tudo o que dizem nesse ponto faz com que se tornem praticamente deuses. Você está olhando para eles através desta névoa de cansaço, fome e desnutrição e apenas acredita em tudo o que dizem, assim eles se tornam infalíveis.

EW: Você interpretará vários líderes de seitas, certo, como Jim Jones e David Koresh. Isso tudo será em um episódio?

EP: Não, acontecerá até o final da temporada, durante alguns episódios. Tem um episódio em que aparecem vários deles.

EW: Quão desafiador foi isso? São homens bem diferentes entre si.

EP: Foi difícil. Mas muito, muito divertido. Foi incrivelmente difícil. Muita pesquisa estava envolvida nisso. Primeiro Ryan (Murphy) me disse que eu interpretaria Andy Warhol e então imediatamente comecei a fazer pesquisas sobre e me apaixonei por ele. E achei ele incrível, os anos 60, o The Factory (estúdio de arte criado por Warhol) e aquele mundo inteiro para se viver eram tão divertidos. Então foi ótimo aprender sobre ele, mas desafiador obter seus maneirismos, discurso e estado de espírito. Eu simplesmente o ouviria constantemente. Para cada pessoa felizmente existe algum tipo de vídeo ou gravação no YouTube.

EW: Lena Dunham interpretará Valerie Solanas, que tentou assassinar Warhol. Como foi trabalhar com ela?

EP: Ela é uma querida. Fez um ótimo trabalho e nos divertimos muito brincando no The Factory. Adorei ela.

EW: Você está fazendo isso há sete anos. Definitivamente é seu maior papel desde o Tate, na primeira temporada. Como você qualificaria Kai? Como o classificaria? Ele é um favorito?

EP: Ele definitivamente é o mais proeminente, por isso, tenho que interpretá-lo mais e meio que explorá-lo mais. Nesse aspecto, acho que ele não foi apenas o mais desafiante e exaustivo, mas, como resultado, o mais divertido personagem, e eu aprendi muito com isso. É um personagem muito atual com o terror que está acontecendo no nosso país. Acho que Kai é o “número 1” dentre todos os personagens que interpretei.

EW: Foi difícil desapegar, contudo, porque essa trama é tão familiar?

EP: Bom, terminamos de gravar no dia 22 (de Setembro). Ele (Kai) está muito enrolado, tenso e no limite o tempo todo. Ele fica nervoso muito facilmente. Isso não começou a diminuir até pouco tempo atrás. Levou quase uma semana para que eu parasse com isso (Risos!) Mas foi muita coisa. Apenas a mais longa, cansativa experiência, e a em que eu mais trabalhei duro.

EW: Em um tom mais leve, era realmente pó de Cheetos na sua cara?

EP: Sim, era! E você notará, se algum dia se sentir aventureiro ou brincalhão, e decidir passar Cheetos no seu rosto, que a cor é mais pálida. Então misturamos um pouco de tinta laranja também. Definitivamente haviam pedaços de Cheetos lá e eu esfreguei aquilo no meu rosto.

EW: É uma boa máscara facial? Como afetou sua pele?

EP: Foi bom. É meio adstringente e um pouco seco. Foi boa para a pele normal a oleosa e para diminuir o brilho.

EW: Você ficou cheirando a Cheetos por dias?

EP: Nós gravamos parte da cena e então fomos almoçar. Eles falaram “Você poderia limpar isso e depois reaplicar”. Mas eu disse, “Vamos deixar assim, vai ser tão difícil fazer ficar igual, então deixa assim mesmo. Aí tudo o que comi cheirava ou tinha gosto de Cheetos.

EW: Você teve que usar aquela roupa do Rubberman. Como são os figurinos? Como isso fica com relação aos palhaços?

EP: Devo dizer, é um pouco quente. Boa parte daquele material é bastante grosso e a jaqueta é de couro. Essas máscaras são realmente assustadoras, mas um pouco divertidas, porque não podemos ver nada. Então estávamos tentando caminhar pelo estúdio, tropeçando em tudo, balançando facas e errando.

EW: Você teve que fazer algumas coisas malucas para a série. Que posição se masturbar na frente do Billy Eichner fica nessa classificação?

EP: Olha, nunca é um dia fácil no trabalho quando você tem que se masturbar na frente de estranhos. É um pouco assustador. Você meio que precisa se desligar, colocar uma barreira. Eu fiz algumas coisas malucas. Já teve tanto sexo e morte na série que isso pode ser considerado coisa pequena perto do que ainda vai acontecer na temporada. Então eu fiquei tipo, “vamos lá e quebrar esse gelo”.

EW: A cena da pistola de pregos foi perturbadora de se filmar? Foi aterrorizante de se assistir!

EP: Foi intensa. Todos estavam chateados e tinham que estar chateados em matar nosso amigo. A maquiagem fez um ótimo trabalho, tornou aquilo muito real, e a execução também foi muito realista. A coisa sobre isso é que há certas cenas, quando você está interpretando o Kai, que são extremamente difíceis, como o flashback. Então você tem as outras coisas, como aquilo, onde para todos os outros foi difícil gravar, mas para mim foi agradável, porque o personagem estava gostando de certo modo. Apesar disso, quando você dá um passo atrás e olha de fora, acaba pensando “Jesus Cristo, o que estamos fazendo aqui?”

EW: O episódio da última terça-feira revelou com Dr. Vincent é seu irmão. Isso foi uma surpresa para você?

EP: Não, eu sabia que isso aconteceria.

EW: Eu adoro o relacionamento entre Beverly (Adina Porter) e Kai. Ela parece estar cada vez mais sedenta por poder. Vamos continuar a acompanhar a evolução desse relacionamento?

EP: Sim, com certeza. E você está certo com relação a isso: ela definitivamente está com mais sede por poder. Quero que todos tenham poder igual, mas depois anos de opressão. É interessante ver como esse relacionamento se desenrola, e não acho que você ficará desapontado no decorrer da temporada.

EW: Deve ser estranho ser tão antagônico com a Sarah (Paulson), sendo que na última temporada, em Roanoke, vocês se casaram. Na vida real vocês se conhecem e são amigos a muito tempo.

EP: Foi divertido, Sarah é uma ótima atriz, muito generosa e irá ajudá-lo de muitas maneiras. Eu realmente gosto de trabalhar com ela. Acredito que, quando se trata de ser antagônico com ela, há um certo entendimento de como podemos fazer isso. Mas então, no final do dia ou entre as gravações, rir e nos divertirmos juntos.

EW: O que você pode dizer sobre o futuro do Kai? Sua ascensão vai continuar?

EP: Sim. Agora ele é um narcisista, mas então ele se transforma num megalomaníaco e fica cada vez mais e mais assim. É trágico, divertido e assustador assistir o poder de Kai aumentar com a falta de sanidade e empatia que ele tem. Isso é aterrorizante.

American Horror Story: Cult vai ao ar no canal FX USA às terças, a partir das 23h (horário de Brasília) e no FX Brasil toda quarta, às 23h59. Fique ligado no American Horror Story Brasil para notícias diárias sobre a série, estamos no FacebookTwitter e Instagram.