Review: As Sete Maravilhas de ‘Boy Wonder’, 5° episódio de ‘Apocalypse’

Quando uma nova Suprema surge, a anterior vai ficando cada vez mais fraca. Para provar que é a Suprema, uma bruxa precisa manifestar os poderes conhecidos como as Sete Maravilhas: telecinese, concilium, pirocinese, adivinhação, transmutação, vitalum vitalis, e descensum. Esses conceitos foram memorizados pelos fãs de “Coven”.

A terceira temporada de American Horror Story girou em torno do mistério de qual bruxa seria a nova líder do clã e culminou na prova final que trouxe essa revelação. Cordelia Goode (Sarah Paulson), afinal, era a Suprema. O espectador que terminou a temporada provavelmente pensou que seu mandato seria longo. Mas seria? “Boy Wonder” (Menino Maravilha) traz possíveis sinais para essa dúvida.

Após desmaiar, Cordelia tem uma visão. Ela vê um mundo pós-apocalíptico no qual a Academia Miss Robichaux está destruída e todas as bruxas mortas. A Suprema é devorada viva por zumbis diante de um demônio de rosto branco e olhos pretos. Vale lembrar que esse é o aspecto da freira possuída pelo Diabo nas imagens promocionais de “Asylum”. Ao acordar, ela associa a visão a Michael (Cody Fern), quem nós fãs já sabemos ser não um candidato justo ao posto de Supremo e, sim, um Anticristo.

O problema é que Cordelia, apesar de ter atingido há pouco tempo seu auge, como Myrtle (Frances Conroy) observa, está enfraquecendo. Uma Suprema precisa ter a saúde perfeita e ela apresenta feridas no abdome, desmaia, tem sangramentos nasais. Para proteger não só o clã, como o mundo, Cordelia resolve desafiar Michael a fazer o teste das Sete Maravilhas.

MALLORY
Myrtle se recusa a aceitar a ideia. Para ela, homens são líderes destrutivos: “Não aprendemos nada com Átila, o Huno? Herodes, o Grande? Mark Zuckerberg!?”, Myrtle reclama, provando que mantém sua habilidade de disparar boas falas. Ela lembra que há outras potenciais candidatas ao posto de Suprema e ressalta que Mallory (Billie Lourd) é poderosa, lembrando que ela não só ressuscitou um veado como o rejuvenesceu.

Há algo de intrigante em Mallory. Seu poder é comparável com o de Michael como ficou claro na cena em que os dois se enfrentaram. É notável também que no seu visual original, ela tem uma aparência que é quase cristã, com olhar calmo e benevolente e coroa sob os cabelos castanhos, algo parecido, ainda que numa versão feminina, com os retratos ocidentais de Jesus. Será ela o Cristo para o Anticristo?

Myrtle e Cordelia não são as únicas desconfiadas da natureza de Michael, John Henry (Cheyenne Jackson) continua convencido de que há algo errado com o menino. O problema para ele é que Mead (Kathy Bates) cruza seu caminho e o mata, não sem antes mutilar seu calcanhar, uma agressão que é possível referência a um certo ato da personagem da atriz no filme “Misery”. Ela e o líder dos bruxos, Ariel Augustus (Jon Jon Briones) são aliados. Mead por seu satanismo, Ariel por uma ambição cega de ter um homem como líder dos bruxos.

MARAVILHAS
Michael executa seis das Sete Maravilhas com facilidade. Para dar agilidade e estilo às cenas, elas são apresentadas como trechos de um filme de cinema mudo, algo parecido com quando foram mencionadas em “Coven”. Antes que ele se mostre capaz de realizar descensum, a ida e volta ao Inferno, Cordelia faz uma exigência: Michael precisa trazer de volta sua discípula e amiga, Misty Day (Lily Rabe) que morreu ao realizar a mesma prova.

Vamos falar a verdade, sabemos que American Horror Story é um seriado de terror. Porém, poucos desfechos foram tão injustos quanto o de Misty. Ela era a bruxa mais pura, amava seres vivos e foi presa em um inferno pessoal no qual é repetidas vezes forçada a dissecar um sapo vivo na sala de aula, uma possível imagem traumática de sua infância. Assim como aconteceu com Queenie (Gabourey Sibide), “Apocalypse” repara um erro e dá nó em uma ponta solta de outras temporadas.

Michael resgata Misty do Inferno, com toda a violência da qual um Anticristo é capaz (ele estripa o “professor” que obrigava a bruxa a dissecar sapos). O reencontro de Misty e Cordelia é tão emocionante quanto os espectadores esperavam. Porém, ele significa que Michael está apto a ser o próximo Supremo e Cordelia demonstra mais uma vez fraqueza física. A eleição é válida quando você tem poderes por ser filhote de Satã e não por ser bruxo?

MORTE
Misty está a salvo, porém receosa. Ela pressentiu um perfume de morte em Michael. Misty percebeu uma aura maligna no rapaz já no momento em que foi resgatada. Fora a brutalidade, ele se comunicou com as crianças (ou seriam demônios?) do inferno de Misty – em uma ótima cena de terror, na qual meninos e meninas reviraram os olhos, abriram a boca em uma posição desconfortável e emitiram sons estranhos.

Enquanto Cordelia se recupera, a Suprema convoca Stevie Nicks para animar e ajudar Misty a se recuperar. Cordelia também ordena Madison (Emma Roberts) a investigar o passado de Michael, no que ela será acompanhada por Behold Chablis (Billy Porter). A investigação, logicamente conduz à Casa Macabra da primeira temporada, local onde a história de Michael começou.

“Boy Wonder” é uma continuação direta do episódio interior, o que ajuda na manutenção do fluxo da história. Apesar de curto, o episódio é marcante, por trazer de volta mais uma personagem favorita dos fãs e uma boa cena de assassinato interpretada pela fantástica Kathy Bates. Ele também termina com um bom gancho: a promessa de que reencontraremos mais personagens queridos, dessa vez de “Murder House”.

Post-Scriptum: O poder de Coco (Leslie Grossman) em detectar glúten em alimentos pode parecer fraco e cômico. Cordelia o descreve como uma percepção de perigo, o que pode ser útil em uma batalha contra o Anticristo. Será mesmo o caso?