REVIEW E01 – MONSTERS AMONG US

ATENÇÃO! CONTÉM SPOILERS.

 

O episódio de estreia de Freak Show, intitulado Monsters Among Us (Monstros Entre Nós), traduz exatamente o que vamos ver na próxima hora e provavelmente na temporada inteira. Simbolicamente remetendo aos demônios internos de cada indivíduo, freak ou não.

Mais uma vez somos presenteados com a magnífica e sempre impecável fotografia de Michael Goi, o espetacular visual das locações e sets, além da precisão e perfeição nos figurinos, maquiagem e efeitos especiais.

Assim como o piloto de AHS Murder House, Monsters Among Us foi escrito por Ryan Murphy e Brad Falchuk e dirigido por Murphy, que repete aqui o mesmo estilo utilizado na primeira temporada.

E felizmente parece que Freak Show está mais parecida com Asylum (e até mesmo Murder House) do que com Coven. Tem aquele tom sombrio e um suspense eletrizante (e aterrorizante) que os fãs do gênero Horror adoram e esperam. A parte dramática está na medida, sem os exageros da última temporada. E os pequenos toques de humor prometidos foram tão sutis quanto necessários (e que continue assim).

SOMOS TODOS FREAKS

Um show de aberrações é o tema principal dessa temporada. Esses shows consistiam basicamente em exibições de humanos e animais com algum tipo de anomalia física em circos ou afins. Mas como nada em American Horror Story é simplesmente o que parece, certamente em Freak Show as aberrações serão muito mais do que meros portadores de mutações genéticas.

Tudo isso com os já tradicionais personagens da vida real inspirando a ficção e a preocupação com as minorias e temas polêmicos. A segregação imposta as “aberrações” naquela época e o preconceito contra o diferente que persiste até os dias de hoje não nos torna todos tão freaks quanto eles? Só dizendo…

O PALHAÇO ASSASSINO

Resolvi começar com o Palhaço Assassino por entender que ele vai pontuar as cenas com suas aparições chocantes. Bem ao estilo Hitchcock e com as inovações tecnológicas que, juntas, vão tirar o sono de muita gente.

Aparentemente inspirado no serial killer americano John Wayne Gacy, conhecido como o Palhaço Assassino, o personagem é tão ou mais cruel e assustador que seu desprezível similar da vida real (se é que isso é possível).

E apesar de não ter dito uma palavra até agora, ele já matou quatro pessoas e sequestrou outras duas (que provavelmente vai matar também, se é que já não o fez).

Ele usa uma fantasia imunda e o que parece ser uma máscara macabra. Porém, por causa da pergunta da garota sequestrada sobre o que aconteceu com o resto da máscara dele eu fiquei em dúvida se aquela não seria sua real face e quando ele se apresentar “normal” é que estará usando máscara. Só especulando, já que eu não acredito que eles trariam John Carroll Lynch e a gente nunca veria sua cara, concordam?

STARS NEVER PAY (ESTRELAS NUNCA PAGAM)

Jessica Lange retorna, poderosíssima como sempre, como Elsa Mars, que dirige um dos últimos circos de aberrações fadados à extinção graças ao advento da Televisão.

Elsa não mede esforços para atrair público para seu show. Após um “arranjo” com o dono do terreno onde o circo está instalado, ela encontra e traz as siamesas para o show.

Mas Elsa não é a grande samaritana que parece. Ela é uma artista frustrada e decadente e quer, na verdade, atrair o público para ser vista. Além disso, ela se refere aos freaks como monstros e parece que sua dedicação em mantê-los unidos não passa de sua necessidade de ser uma estrela.

Jessica Lange canta Life on Mars de David Bowie.

O BEM E O MAL?

Bette e Dot parecem ser doces e inocentes gêmeas que tiveram que viver escondidas do mundo exterior para evitar discriminação por serem siamesas. E de novo, apenas parecem.

As duas dividem o mesmo corpo e são capazes de se comunicar “telepaticamente” entre si. Elas possuem dois corações, mas apenas um sistema reprodutor. Tenho que admitir que achei hilário quando Elsa fez perguntas sobre a vida sexual delas. E isso deve trazer alguns conflitos entre as irmãs no futuro.

Aos poucos vamos descobrindo um pouco da personalidade de cada uma, mas a cada cena fica mais difícil identificar a gêmea boa da gêmea má. Simplesmente porque isso não existe. Elas são como qualquer um de nós. Ambas têm um lado bom e um lado mau.

Não posso deixar de citar o fantástico desempenho de Sarah Paulson. Ela compõe as siamesas de modo tão extraordinário que somos capazes de identificar qual a irmã que está falando mesmo sem se ligar no ângulo da câmera. Sim, porque Dot está sempre à esquerda na tela e Bette à direita.

FLIPPER ACTION*

Esse ano parece que vamos ter um personagem masculino interessante. Jimmy Darling carrega uma dualidade quase inconcebível para as pessoas ditas normais.

Um jovem atraente e líder de seu grupo, portador de uma doença congênita que faz com que suas mãos pareçam pinças de lagosta. Mas ele faz bom uso de sua deformidade entretendo donas de casa entediadas.

Ao mesmo tempo em que demonstra desejo de viver uma “vida normal”, Jimmy faz de tudo para manter o grupo de freaks unido – até mesmo matar.

A cena em que Jimmy mata o detetive que queria prender as gêmeas é assustadoramente muito boa. Mas a cena em que o grupo de freaks se une e corta o corpo do homem em pedaços enquanto são observados de longe pelo palhaço assassino é muito mais – boa e assustadora. Até lembrei das bruxas de Coven matando o Axeman.

Também não posso deixar de destacar a excelente atuação de Evan Peters. Ele interpreta um personagem totalmente diferente das temporadas anteriores e o faz com tanta eficiência que até esquecemos que é o mesmo ator interpretando os quatro.

OS FREAKS

Teremos “freaks” reais nesta temporada: a menor mulher do mundo, um transgênico, etc. Se seus personagens vão ter algum destaque no futuro, vamos ter que esperar pra ver.

Somos introduzidos a Mulher Barbada. Ethel é mãe de Jimmy e gerencia o circo. Ela é descrita como autoritária e parece ser extremamente leal a Elsa, por ser grata por ela tê-la resgatado e a unido a seu filho.

Mas certamente vamos ter que esperar pra ver o que mais ela vai fazer porque me recuso a aceitar que colocaram a excepcional Kathy Bates pra fazer figuração.

OS NÃO(?) FREAKS

Será que dá pra dizer que um homem que acabou de achar uma mulher brutalmente assassinada e fique horrorizado com xifópagas é normal? Sem mencionar a mãe das siamesas, a mulher do dono do terreno, o pessoal do hospital, e o detetive que se sentem apavorados com os freaks apenas por eles serem diferentes.

Grace Gummer retorna a AHS como Penny, uma garota rebelde que está fazendo trabalho voluntário no hospital onde as gêmeas estão para evitar outras punições piores. Ela se encontra com Elsa e esta a convida para conhecer o verdadeiro show e acrescenta “Life is to be lived” (A vida é pra ser vivida).

Mais tarde vemos Elsa assistindo um filme e descobrimos que se trata dos freaks realizando verdadeiras surubas bizarras e que Penny está entre eles participando. E gostando. E quando ela diz que vai embora, Elsa diz: “My monsters, the ones you called depraved, they are the beautiful heroic ones. They offer their oddity to the world.” (Meus monstros, aos quais chama de depravados, são os belos e heroicos. Oferecem sua estranheza ao mundo.). [Aparte: Quem sabe Meryl Streep se anima agora].

E temos os esquisitos Dandy (Finn Wittrock) e Gloria Mott (Frances Conroy). Aliás o rapaz é o verdadeiro freak. Eles tentam comprar as siamesas mas elas não querem deixar o circo (um pouco por causa de Jimmy, eu achei).

E em outro momento de humor, Gloria compara o canto de Elsa a um miado de gato infernal. Novamente as personagens de Frances e Jessica são antagonistas.

INTERCÂMBIO DE TEMPORADAS

Sempre se falou da possibilidade de personagens e histórias de temporadas passadas fazerem parte de novas temporadas e isso finalmente aconteceu.

Naomi Grossman retorna com sua Pepper e nós vamos ter a oportunidade de conhecer sua história antes de Asylum, já que Freak Show se passa 12 anos antes.

Em Asylum, Mary Eunice conta para Lana que Pepper afogou e cortou as orelhas do bebê de sua irmã. Depois sabemos que o autor do crime foi o próprio pai do sobrinho, mas mesmo assim ela foi condenada pelo crime. E como ela mesma fala: “That’s how it works for us freaks. We get blamed for everything.” (É assim que funciona pra nós freaks. Nós somos culpados por tudo).

Mas o interessante é que em Asylum só sabemos que Pepper tem uma irmã, mas em Freak Show aparece um rapaz praticamente igual a ela em diversas cenas. Quem será ele?

E outra referência a Asylum vem de Elsa que sugere que freaks sempre terminam em manicômios.

Ou seja, parece que teremos uma temporada bem ao estilo American Horror Story. Repleta de personagens e histórias consistentes e muito Horror.

 

* Modo como Ethel se refere as habilidades manuais de seu filho Jimmy.

 

Frase de Impacto: Don’t call us freaks! (Não nos chame de aberrações!). Vai render uma super camiseta.

Melhor momento: A cena dos freaks dilacerando o corpo do detetive e o palhaço observando eles de longe. Assustador!

Pior momento: Felizmente não houve uma cena ruim (tomara que continue assim). Então vou realçar aqui um detalhe que sempre me incomoda: o uso de lentes olho-de-peixe. Pelo menos dessa vez foi usada rapidamente em um plano aberto mas isso é um incentivo terrível pro Alfonso Gomes-Rejon que adora usa-la indiscriminadamente e deformar os rostos dos atores.

Destaque: Evan Peters e Sarah Paulson. Apesar do brilhantismo de Jessica Lange, os dois arrasaram neste episódio.

E vocês, o que acharam? Comentem.

  • MAGNIFICO, MUITO BOM , mt fodaaaaaaaa

  • Violet

    Dot e Jimmy juntos ??
    adoraria

  • Felipe Lopes

    Pelo amor de Jessica Lange! “Transgênico” designa um ser vivo que recebeu um gene de outra espécie vegetal ou animal, o que, definitivamente, não é o caso da linda e talentosíssima Erika Ervin, a Eve de Freak Show. Ela é uma transgênera, transsexual, trans* ou trans-mulher. E em sinal de respeito à condição dela e ao modo que ela se reconhece e se apresenta pra sociedade, a gente sempre se refere a elA com o artigo no feminino, isto é, onde vocês escreveram “um transgênico” seria “uma trans-mulher” (ou qualquer uma das outras referências que citei).
    Imagino que o equívoco tenha sido por falta de conhecimento e espero não ter sido rude ao tentar explicar. Se fui, me perdoem! Mas é isso…

    Sobre a nova temporada: to amando muito mas ainda bem confuso com a nova proposta do Ryan, é muito mistério junto. O elemento que mais gostei é o Twisty. Associo sempre ao “Bloody Face”, só que o palhaço vem se mostrando muito mais misterioso e instigante.