REVIEW E03 – EDWARD MORDRAKE P1

ATENÇÃO! CONTÉM SPOILERS.

 

A primeira parte do episódio de Halloween intitulado Edward Mordrake, como o próprio título infere, conta a história do aristocrata que tinha uma segunda face na parte de trás de sua cabeça.

Escrito por James Wong e dirigido magnificamente por Michael Uppendahl. Conta novamente com a fotografia de Michael Goi que criou detalhes incríveis no decorrer do episódio, como a cena em que Mordrake chega ao circo.

EDWARD MORDRAKE

O premiado Wes Bentley de American Beauty (Beleza Americana) e The Hunger Games (Jogos Vorazes) é o convidado especialíssimo que dá vida a Edward Mordrake.

Só a chegada dele ao circo já deu medo. Foi interessante porque quando Elsa começa a cantar eu pensei: ai não mais um momento Glee. Mas não, foi como The Name Game, fazia totalmente sentido pra história.

Elsa estava na verdade invocando, mesmo que involuntariamente, Edward Mordrake. Enquanto ela canta Gods & Monsters (de Lana Del Rey) começa a surgir uma fumaça verde sinistra e é como se ele estivesse emergindo dela. E no trecho No one’s gonna take my soul away (Ninguém vai levar minha alma embora) vemos que ele já está no circo. Fisicamente. Tenebroso!

[Aparte: Curioso é que novamente a música usada só seria lançada décadas depois.]

Apesar de ficar frente a frente com Elsa, Mordrake desaparece no ar e vai atrás de uma vítima.

Mais cedo Ethel contou pras siamesas por que os freaks não podem se apresentar no Halloween. E é quando vemos pela primeira vez Mordrake e conhecemos sua história.

Mordrake era um homem talentoso mas atormentado por sua segunda face que lhe sussurrava coisas demoníacas. Ele chegou inclusive a tentar matá-la sem sucesso. No final ele foi enviado pra um hospício de onde fugiu e acabou em um freak show onde matou todas as aberrações e depois se enforcou. Mas a face demoníaca continuou sorrindo mesmo após sua morte.

Uma vez invocado seu espírito, ele só vai embora após sua face demoníaca escolher uma aberração para levar com eles para o inferno. E mais tarde parece ser a própria Ethel a escolhida. Sorte dela (e nossa) que não. Vai ficar pro próximo episódio.

OS GOLPISTAS

Stanley e Esmerelda são dois vigaristas que após uma tentativa de golpe frustrada descobrem uma maneira inusitada de faturar alto: se apenas o fígado de siameses valem cinco mil dólares, imaginam quanto ganhariam com um corpo inteiro.

[Aparte: também neste episódio é mostrado como o advento da Televisão afetou a vida social e econômica das pessoas na época.]

Denis O’Hare como sempre arrasou. E em Freak Show ele parece que vai ter uma participação bem interessante, já que seu personagem está disposto a fazer qualquer coisa, até mesmo matar, para conseguir um espécime para vender para o museu e faturar muito. Afinal, segundo ele, “Nobody cares what happens to a freak” (Ninguém liga pro que acontece com aberrações).

E ainda Stanley pode ser considerado um pouco freak já que tem um pênis avantajado. Ele o compara com uma espada e seu companheiro “Viking” ficou bem animado depois de vê-lo.

Já Esmerelda parece que está lá só pra Emma Roberts ter um papel na temporada. Ou pior, o lado romance. Acho que seria suficiente se fosse entre Jimmy e as siamesas pelo inusitado, mas triângulo (ou quadrado?) amoroso vai ser dispensável e tolo, tipo em Coven.

OS PALHAÇOS

Twisty aparece a qualquer hora do dia. Seria mais aterrorizante se fosse à noite. E mesmo sendo Halloween é curioso ninguém estranhar aquela roupa suja e a máscara bizarra.

E por que ele não mata aqueles dois que sequestrou no primeiro episódio? Qual o propósito disso? Ou melhor, qual o horror? Nem é mais assustador. Ainda mais com aquele instável e esquisito Dandy de “parceiro”. E agora levou mais um pro ônibus abandonado.

Aliás esse Dandy tem realmente um nome apropriado. Pelo menos no sentido substantivo (almofadinha, fanfarrão). Finn Wittrock está dando um show. Mas pra mim a bizarrice da loucura de seu personagem  é um pouco cansativa. Está meio exagerado. O mesmo eu digo da mãe. Por que estão fazendo isso com a Frances?

A cena em que Dandy descobre que sua fantasia de Halloween era Howdy Doody (marionete de um programa de TV infantil de mesmo nome criado no final da década de 1940) beirou o ridículo. Desculpem, mas foi.

Pelo menos Patti Labelle está saindo ilesa. Sua personagem é bem interessante. Dora sabe que o rapaz tem problemas, mas não o teme. Na verdade até o enfrenta quando ele aparece vestido de palhaço e empunhando uma faca pra ela. Mas parece que no próximo episódio ela vai sofrer as consequências disso.

A MULHER BARBADA

Ethel teve grande destaque nesse episódio e eu tenho que dizer que foi fenomenal a interpretação de Kathy Bates. A mulher é um monstro. Deu show!

Mas o grande problema é que estamos falando de AHS e, pelo menos até agora, seu papel é pura e simplesmente dramático. Descobre que tem pouco tempo de vida, volta a beber, fica emotiva com o médico sendo gentil com ela, tenta se entender com Dell para surpreendentemente pedir a ele que cuide de Jimmy, além dos contínuos atritos com o filho por ele querer viver uma vida “normal” e deixar o circo. E ainda ficamos conhecendo um pouco mais de sua história triste.

Cadê o horror? Ela não pode ser só a “Mulher Barbada” castigada pela vida. E sério, doença terminal de novo?

OS OUTROS FREAKS

Dell e Desiree são o casal mais bizarro do circo. Ela chega toda animada, tentando dar umazinha com o marido e ele… nada. Os dois discutem e daí sabemos que Dell realmente tem um problema referente à sua virilidade. Vai ver que foi por isso que a “Três Peitos” pegou o gay em Chicago.

As siamesas continuam sua batalha pelo domínio do corpo – com uma ligeira vantagem para Dot. Nesse episódio Bette se mostrou extremamente dócil, até submissa. Mas me parece que é isso será apenas o ponto de partida pra guerra anunciada.

Jimmy continua amargurado pela morte de Meep e se apresenta mais uma vez como a figura protetora do circo, chegando inclusive a confrontar um policial.

Jessica Lange está quase fazendo figuração em sua última participação em AHS. Ou ela fuma ópio ou canta ou dá ataques de estrelismo. Quando ela vai começar a ser vilã? É assim que todos querem vê-la. Constance e Sister Jude eram o máximo. Fiona nem tanto. Elsa precisa ser como as duas primeiras pra valer a pena, não acham?

 

Frase de Impacto: de Elsa: “I am the only mith around here” (Eu sou o único mito por aqui).

Melhor momento: A chegada de Edward Mordrake por todos os motivos acima.

Pior momento: Elsa e Esmerelda na tenda. Foi chato. E pra piorar eu fiquei em dúvida se a personagem não era boa fingindo que era vidente ou se foi problema de má interpretação mesmo.

Destaque: Kathy Bates. Definitivamente ela merece que o papel se desenvolva melhor porque sua atuação foi espetacular.

E pra vocês? Que frase chamou sua atenção? Quais momentos marcaram o episódio? Quem se destacou? Opinem.

  • Jorge Sousa

    Só tenho algo a discordar: Fiona foi mais vilã que Jude e Constance, Fiona era ambiciosa e não tinha arrependimentos de ter chegado ali, embora fosse bem cativante, era vil e dissimulada… Jude era má, mas era de certa forma só fachada, ela era uma boa pessoa, porém amargurada… Constance se arrependia por não ter uma vida perfeita, e não ter filhos perfeitos
    O resto foi ótimo!
    Ps: A queda da Esmerelda foi tão fingida, acho que a intenção era mostrar que a personagem obviamente não era uma vidente

  • Bruno

    Semana passada comentei que tinha achado o Review fraco e com pouca opinião. Esse ficou muito melhor. Gostei bastante. Parabéns!

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