REVIEW: O preço da popularidade em ‘Chapter 9’, penúltimo episódio de ‘Roanoke’

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Se “American Horror Story” tiver quatro ingredientes principais eles seriam o macabro, a sexualidade, o cinema e o comentário social. O primeiro e o último são bem misturados, já que há uma justiça kármica nos desfechos brutais de personagens, se você reparar bem.

A temática moral da segunda metade foi o preço da autoexposição em troco da fama por meio da mídia tradicional. Por se tratar de uma trama do terceiro milênio, reality shows e o espetáculo televisivo são formatos que precisam ser abordados. Mas a obsessão por ser popular na internet não poderia ser deixada de lado quando se fala da nossa era.

GERAÇÕES Y E Z
E é claro que se vamos mostrar excessos cometidos em nome de transformar um vídeo em viral a prática precisa ser representada por integrantes das gerações Y e Z. O que os mais narcisistas de nós não fazem por alguns dígitos de curtidas, não é? Talvez fosse compreensível. Nos anos 1970 quem não queria ser um deus dourado do rock? Ter talento, viver num ambiente de sexo e drogas, ser mundialmente conhecido, destruir instrumentos e objetos de hoteis como demonstração de rebeldia. Hoje a aspiração de quem quer fazer sucesso é ser um “digital influencer”. Os formadores de opinião dos adolescentes atuais são os Youtubers.

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Como se trata de “American Horror Story”, os personagens loucos por se tornar alvo de admiração on-line não filmam o próprio rosto enquanto discursam sobre coisas normais da vida como dietas falhas, ou fazem piadas mal embasadas sobre a sociedade, descrevem novo treino na academia ou viagens ao exterior. Esqueçam seus canais favoritos no Youtube. Conheçam Sophie (Taissa Farmiga, de volta pela primeira vez desde “Coven” e com uma interpretação mais natural do que naquela temporada), Todd (Jacob Artist) e Milo (Jon Bass), fãs de “Meu pesadelo em Roanoke” que querem gravar vídeos no local onde o seriado foi gravado.

O trio é mais ou menos como uma versão de nós, espectadores de “American Horror Story”, se fôssemos estúpidos o suficiente para ir a uma área sobrenatural justamente na data do ano em que a chance de morrer ali é maior e insistir em continuar lá mesmo depois de descobrir que os fantasmas existem. E se nosso sonho de ter um vídeo viralizado fosse grande ao ponto de nós incentivar a utilizar a popularidade da série para alavancar nossa repercussão em meio digital (Socorro, se eu ficar feliz com os comentários na review, isso significa que eu sou como eles? Metalinguagem pode ser assustadora, como os produtores conseguiram lidar com isso este ano?).

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Em “Roanoke” a tendência a tomar más decisões é uma constante. É claro que os três tiveram mortes horríveis. Dois deles foram empalados. O método de tortura é tão horrível que um anúncio avisou o espectador que as cenas seriam de extrema violência e que eu até esqueci que eles foram queimados depois. Você viu mesmo o que acha que viu. As vítimas tiveram o corpo atravessado por uma estaca introduzida pela ânus, enquanto o ato foi transmitido pela internet.

Sophie e Milo conseguiram a visibilidade na rede que queria – imagine quantas vezes a gravação não foi compartilhada por sádicos de mau gosto? – ainda que provavelmente não com o conteúdo que desejavam. O mal estar é maior quando vemos quem conduz a morte dos dois jovens. Vamos recapitular o que aconteceu com nossos protagonistas até essa cena.

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SOBREVIVENTES
No episódio anterior, o número de sobreviventes se afunilou para três. Parecia que a população nascida para ser vítima do gore na temporada estava entrando em extinção e que faltavam apenas três ou duas pessoas para a espécie desaparecer. Não era bem o caso. Além do surgimento dos três jovens equipados com câmeras GoPro, tivemos um novo participante do reality show: Dylan (Wes Bentley).

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Não, não é Dylan de Dylan McDermott de outras temporadas, e só o nome do ator que interpretou o filho da Açougueira no seriado dentro de seriado. Sim, ele só apareceu para aumentar a contagem de corpos, acompanhar Lee (Adina Porter) e Audrey (Sarah Paulson) de volta à casa dos Polk, dar uma oportunidade à produção de mostrar o Wes Bentley sem camisa e proporcionar aos fãs uma nova aparição do motorista de Uber, Rhett Snow (Billy Snow).

Dylan tinha boas intenções movidas por seu espírito de ex-militar, Lee e Audrey só desejavam destruir provas audiovisuais que as incriminavam. Ninguém conseguiu o que desejava, porém ao menos Audrey conseguiu resgatar Monet (Angela Bassett).

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Uma tela com explicações textuais do sexto episódio deixava claro que apenas um dos indivíduos envolvidos na filmagem não morreu durante as gravações. O mistério da segunda parte da temporada era quem seria o sobrevivente. Foi como torcer para um participante ser o vencedor de um reality show, porém em um projeto em que os outros são massacrados em vez de mandados de volta pra casa. E o desfecho foi sim satisfatório para uma história de terror.

“Roanoke” é a temporada mais sombria de “American Horror Story” em anos. Seria estranho que o reality show terminasse com uma heroína como a clássica final girl, a mulher pura que escapa das monstruosidades por ser a mais inocente envolvida na história. Estamos em uma era em que filmes mostram boas cristãs em espiral de decadência familiar cuja única chance de sobrevivência é fazer um pacto com o Mal. É mais ou menos o que vimos em “Chapter 9” (Capítulo 9).

Lee se apresentou a nós como uma mãe, esposa, irmã e profissional com problemas de abuso de álcool e drogas, porém de personalidade forte e caráter. Ela defende que não se tornou viciada porque quis, e sim devido a uma fatalidade na rotina de policial. Como todos os personagens de “Roanoke” Lee assume ter tomado decisões irracionais, porém sempre perdoáveis. Ela também se autointitulou injustiçada, acusada de matar o ex-marido.

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Depois Lee confessa que foi sim a responsável por esse homicídio. Fez o que fez por desespero. E então, quando está perto da morte no meio da floresta Lee como Tomasyn (Kathy Bates ou Susan Berger ou a personagem de um certo filme) faz seu pacto com o Mal para sobreviver. A bruxa da floresta Scáthach oferece um coração para ela em troca de sacrifícios durante a Lua de Sangue.

Então, Lee mata Todd, Monet, Milo, Sophie e tenta tirar a vida de Audrey (os típicos policiais incompetentes de “American Horror Story” e a impulsividade da atriz fazem o resto do trabalho). Enquanto comete atos de violência murmura frases dignas da Açougueira. Sua forma de agir sob possessão nos faz questionar a natureza de Tomasyn White após o encontro com a bruxa. Ela também foi escravizada em transe? O que ela pronunciava traduzia suas obsessões ou as obsessões da Scáthach? E qual o verdadeiro caráter de Lee? Ela se mostrou em pânico como se tivesse recuperado o controle do próprio corpo depois da Lua de Sangue. Estava atuando ou era verdade?

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NARRADORES NÃO CONFIÁVEIS
Quando assistimos superficialmente, “Roanoke” é a temporada onde transparece uma preocupação primária em contar a história sobre violência, sem explorar tanto a psicologia dos personagens ou os males da sociedade. Se não pensarmos muito, corremos o risco de terminar a temporada achando que sua única pretensão foi ser uma clássica história de horror e nada mais: mortes grotescas, sustos, personagens que existem para morrer, experimentos com formas diferentes de filmagens para aumentar a imersão do espectador.

Os roteiristas e diretores se esforçaram para confeccionar um legítimo produto de entretenimento nos moldes do gênero. No entanto, não é tudo tão raso assim. Em uma segunda análise, temos a metaficção, a crítica à mídia, ao público e às celebridades/subcelebridades da televisão e internet e esse aspecto também não é tão difícil de percebem pelo formato da trama este ano.

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Por fim, temos uma reflexão sobre como são feitas e absorvidas as narrativas. Nós consumimos notícias, relatos verbais, assuntos de aulas e livros históricos, dramas sobre casos reais sem pensar. Geralmente, aceitamos tudo como verdade. Porém, existe uma coisa chamada narrador não confiável. São manipuladores de primeira e estão presentes em obras bem diversificadas como “Lolita”, “Clube da Luta”, “Rashomon”, “Mr. Robot”. Nós temos uma relação de amor e ódio com eles, porque eles nos desafiam e nos tapeiam. Nós só esquecemos que eles não são apenas uma ferramenta de livros, filmes e seriados. Eles existem na realidade, nas reportagens e nos documentários.

“Roanoke” nos chama atenção para esse fato a mostrar um seriado que simula ser baseado em histórias reais e confronta esses fatos com uma realidade diferente. O tempo todo vemos pessoas contaram suas versões de histórias. Lee se apresenta ser uma pessoa bem-intencionada que não é capaz de matar, Shelby (Lily Rabe) não demonstra ter descontrole e tendências a violência, Matt (André Holland) oculta que permaneceu hipnotizado por Scáthach, os fantasmas têm aparências diferentes.

DESFECHO
O desfecho da segunda fase me agradou muito pessoalmente. Essa etapa de “Roanoke” como um todo intensificou a atmosfera de terror, não foi nem apressada e nem arrastada demais, não teve medo de ser perturbadora, entreteve sem abusar da comicidade, complementou a mitologia da temporada, apresentou boas novas versões de vilões.

 

Se tiver que apontar pontos baixos continua sendo a insistência no artifício de terror em que os personagens fazerem coisas arriscadas, sabendo que são arriscadas, no que parece ignorar a lógica para colocá-los em uma situação de morte. Pelo medo, fazemos besteiras. Protagonistas em filmes de terror fazem mais besteira ainda. Mas será que TODOS os personagens tinham que ser tão irresponsáveis assim?chap9-11

Talvez por isso, talvez pelo fato de que a maioria deles era antipático, “Roanoke” teve poucos personagens pelos quais era gostoso torcer. A Lee era quem mais facilmente despertava simpatia por sua força e é gratificante que ela seja a sobrevivente, principalmente nas circunstâncias inesperadas. Se esse fosse um simples drama de sobrevivência, a corrupção dela seria frustrante. Mas é uma história de terror, aqui não se aplica finais doces ou mesmo agridoces. Fins desoladores se encaixam melhor.

E o que é mais desolador do que uma suposta heroína ser dominada pelo Mal e vê-la sair pelo mundo mantendo esse vínculo ou pagando caro por ele. A narrativa exclusiva do formato found footagem acabou. Agora só nos resta descobrir no último capítulo como a Lee foi tratada pela mídia depois de tantos assassinatos (e se ela continua a ser uma narradora não confiável).

  • Helder Lucas

    “Se tiver que apontar pontos baixos continua sendo a insistência no artifício de terror em que os personagens fazerem coisas arriscadas, sabendo que são arriscadas, no que parece ignorar a lógica para colocá-los em uma situação de morte. Pelo medo, fazemos besteiras. Protagonistas em filmes de terror fazem mais besteira ainda. Mas será que TODOS os personagens tinham que ser tão irresponsáveis assim?”
    É exatamente a única coisa que me fez entortar o nariz para esta temporada inteira de AHS, que competiu ferrenhamente pelo posto de melhor posição contra “Asylum”. A inconsequência, falta de lógica nas atitudes dos personagens abraçou de vez o nonsense nestes últimos momentos, apesar dos últimos episódios terem mostrado “Roanoke” com execução mais genial, apesar de não a melhor como todo.
    Eu quero acreditar que, um dia, o entretenimento do horror nos mostrará personagens reais com atitudes dignas de pessoas reais, do nosso dia-a-dia, que já estão calejadas das decisões que os personagens tomam dentro deste próprio segmento do entretenimento – um segmento a que já foram tanto expostos, mesmo que indiretamente. Não vivemos mais (e acho que nunca realmente vivemos) em uma sociedade onde as pessoas sobreviveriam a situações do tipo de forma tão porca – como uma barata que corre em direção ao pé do humano no desespero para sobreviver.
    De qualquer forma, MELHOR EPISÓDIO. Acho que nunca fiquei tão aflito num episódio de AHS como fiquei neste, e posso dizer por todos nós que WE DIDN’T SEE THAT COMING. AT ALL. HaHaHa

  • Davi Godoy

    Well, well, well. Minha projeção de que Lee seria a sobrevivente estava certa, mas eu realente não esperava que fosse custar tanto à ela esta sobrevivência.

    Em uma temporada fascinante, vemos aqui , talvez, uma representação das eleições americanas: Trump ganhou numa eleição onde os dois candidatos eram incrivelmente antipáticos. Neste nono episódio não havia condições de torcer por Audrey ou Monet, que se mostraram pessoas detestáveis, desdenhando das verdadeiras pessoas que viveram e os taxando de doentes e mentirosos. Lee, por sua vez, se por um lado perdeu todo o carisma neste episódio se transformando a super vilã sobrevivente, com uma montanha de mortes nas costas , por outro lado, ainda é mais carismática que as inocentes Monet e Audrey e mereceu o prêmio de sair viva.

    Sem dúvida que Roanoke é a melhor temporada de AHS, um pouco a frente de “Freak Show” e “Asylum” que eram até então as minhas favoritas. Não espero muito da season finale e realmente acho que não ou gostar dele.

  • Douglas Ibanez

    Concordo com tudo. Eu gosto de como Lee se tornou a sobrevivente de maneira tão controversa e (porque não?), realista, no sentido de que não precisam existir mocinhas perfeitas para sobreviverem no final. Todos somos corruptíveis, talvez só não tenhamos encontrado o desespero para alcançarmos este estado de necessidade. De todos os motivos, ela era a mais “honesta”, digamos assim, já que queria provas do que aconteceu ali… e o fato dela ter matado o ex-marido torna tudo muito mais interessante.

    Quanto aos dois empalados… cara, que cena perturbadora!!! Sério… há muito tempo uma cena não mexia comigo assim, em AHS. Fiquei mal depois daquela cena. Que coisa mais terrível e ao mesmo tempo “legal”, no contexto da série. Eles conseguiram trazer o terror a essa temporada, eu realmente senti medo em alguns momentos da temporada, sem apelar para o gore excessivo. Foram mortes devastadoras e com um princípio e objetivo – nós já sabíamos que todo mundo ia morrer mesmo, não como em Coven ou Freakshow, por exemplo, que todos morriam (ou desmorriam, em Coven) sem um motivo exato, apenas pela diversão de Ryan em matar todo mundo de forma brutal. Aqui não… como você disse, não foi desesperada e nem arrastada, foi tudo na hora certa. Deu para sentir a história, de fato, sendo contada.

    Muito feliz com essa temporada de American Horror Story, de verdade. O episódio foi forte, bom e bem produzido. Gosto do desfecho e dos subtextos incluídos.<3

  • Douglas Ibanez

    Algo que acho muito interessante é como o sub texto de Murphy se enquadra em suas produções, mesmo que diferentes. Se em Roanoke temos essa crítica à Hollywood, às produções, à fama desenfreada e suas curtidas e views, vemos como ele se utiliza disso em American Crime Story, por exemplo, falando sobre como o crime acontecido e seu julgamento foi mega televisionado e transformado em espetáculo. Talvez isso me chame mais a atenção em Roanoke, essa preocupação em mostrar uma profundidade nisso que vivemos hoje, com um paralelo de como as pessoas acabam mortas por seus próprios umbigos, seja caindo de um penhasco, tentando tirar uma selfie arriscada, ou empalado por fantasmas, após permanecer em um local perigoso, apenas para ter views. Gosto disso.

  • Maria Luiza de Oliveira

    Sobre a “burrice” das personagens em voltar para a casa, mesmo quando o perigo fica completamente aparente, de início pode até parecer um grande furo no roteiro, mas se pensarmos bem, quantas vezes nos arriscamos mesmo sabendo que podemos nos machucar ou até morrer!? Já não ouvimos falar de diversos casos de assaltos, sequestros, tentativas de assassinato etc em que as pessoas se machucam ou morrem reagindo instintivamente (tentando se salvar ou simplesmente reagindo de forma histérica), mesmo sabendo racionalmente das consequências?; E quando somos jovens não fazemos coisas estúpidas e perigosas pela adrenalina e/ou para conseguir mais popularidade com os colegas?; Ou o simples fato de acharmos que já conhecemos o perigo a ser enfrentado, nos dá uma confiança exacerbada, que pode ser tão prejudicial quanto não saber de nada (Shelby, Matt e Lee podem ter voltado não só pelos motivos que já sabemos, mas por pensarem já conhecer todos o terror daquela casa, ao contrário dos atores e da produção que pensavam que tudo era uma mentira); E por falar nos atores e na produção que não sabiam e não davam nenhum crédito a história daquela casa (principalmente Sidney que dispensou os furgões da produção para os atores, entre outras decisões que ajudaram a piorar definitivamente a situação de todos), quantas pessoas já não se ferraram por serem céticas demais aos avisos de perigo?

    Roanoke poderia ter mostrado mais personagens que dissessem: “Que porra é essa? Tô fora!” (Até teve, a assistente do Sidney, mas mesmo assim ela se deu mal!). Mas se tivessem muitas personagens assim, ia ser difícil de “tocar terror” (trocadillho besta) por que essas personagens evitariam ao máximo as situações de perigo, que é a essência do terror. Ao mesmo tempo poderia ser um desafio para a imaginação dos roteiristas que teriam que nos entregar histórias de terror com personagens que tivessem reações mais críveis, ou o que a nossa racionalidade considera crível, quando sentamos no conforto do sofá de casa ou na cadeira de um cinema não tendo que se preocupar com praticamente mais nada além do filme de terror que estamos assistindo.

    Roanoke pesa a mão (e talvez esse seja o seu problema) em uma das situações-chave dos filmes de terror: na irracionalidade das vítimas, que assim como nós pensam que com elas nada de ruim pode acontecer, mesmo quando o perigo é evidente, por puro ceticismo, excesso de confiança, a esperança de se salvar ou de que as coisas não podem piorar mais e até mesmo a boa e velha burrice. E é aterrorizante pensar que podemos ser tão estúpidos quanto qualquer uma dessas personagens!

  • Julio Mantovani

    Eu li essa resenha e passei a entender bem melhor o que os produtores estavam fazendo. Vivemos numa sociedade dependente dos meios de comunicação onde as pessoas são fúteis. A noção do que é ou não é importante é distorcida. Dito isto, acho que não funcionou para mim. Eu tive muito pouco dos personagens e não consegui me apaixonar por nenhum deles. Como a primeira metade da série foi “produzida” como um reality show com dramatizações e depoimentos preparados e a segunda é marcada pelo terror constante, tenho a sensação de que não teve aquele momento de humanizar os personagens e deixar os atores trabalharem. Quero dizer… É perturbador saber que alguém voltaria para um lugar como Roanoke para salvar um relacionamento fudido e que essa mesma pessoa poderia matar o objeto do seu suposto amor num impulso súbito. Mas seria muito mais assustador se tivesse aquela marca psicológica da série de mostrar que ninguém nasce um monstro. Imagine que foda entrar na cabeça de alguém como a Shelby e ver o momento no qual as coisas mudaram por dentro. Acho que isso era o mais foda das temporadas anteriores. Essa transmutação do personagem e a forma como eles eram multi-facetados. Jessica Lange que o diga! Hahahahaha.

  • dilds

    pra mim ficou bem claro que a Lee foi possuída.

    • Rafaela Tavares

      Para todo mundo ficou claro. A dúvida é se ela continuou possuída depois e estava fingindo estar chocada na cena diurna ou se realmente a possessão terminou depois da Lua de Sangue.

      • Luiz Henrique

        ou se a possessão fará ela voltar em toda a lua de Sangue, levando pessoas para o sacrifício
        um final como Atividade Paranormal, em que a consequencia é mostrada em forma de noticia no final.

  • Hanna Farias

    Essa temporada passará desapercebida e o motivo é simples: não conseguiram fazer com que nos importássemos com os personagens. Não houve UM que realmente sentíssemos a morte. São esquecíveis e descartáveis. Você não consegue ficar vidrato em um episódio e torcer por alguém que você não liga que fim tomará (The Walking Dead aprendeu a fórmula).
    O sentimento de “me dá igual” é fatal pra qualquer série, filme – ou, contextualizando, reality shows – gerar empatia para imergir o público à história é premissa básica.

    Se em outras temporadas tivemos Liz Taylor (com sequências memoráveis regidas por um soundtrack maravilhoso), Fiona Goode, Queenie… e outros que gostávamos, nessa levaremos quem na memória? A cena das mãos do Jimmy Darling, da 4ª temporada, em um frasco com formol foi mais chocante pra mim do qualquer pedaço de músculo que os Polk tenham tirado da Lee enquanto viva. Nem falar de Ma Petite.
    Se não me apego aos que estou assistindo não há suspense, não há nervosismo, não há emoção, não há coração palpitando, não há “Nãããão! Não acredito!!!”.

    Ah, no entanto devo dizer, me importava com os “personagens” do “documentário”. Sim, por eles torci. (a começar pelo novidade chamada Cuba Gooding Jr. O amo) Curiosamente (propositalmente?), todos os clichês estavam lá: o amor eterno, a mãe carinhosa separada da filhinha, o médium frágil que chega pra ajudar (o detalhe dele cobrar por isso foi fantástico), o clicheraço e sempre arrepiante da menininha que brinca sozinha mas na verdade diz à mãe estar interagindo com “alguém”…

    Infelizmente a vida real é sempre mais boring, sem tanta tensão ou vulto atrás do espelho. Como demonstrado na série, o que tiver que acontecer, acontece. Na vida real as coisas são nuas e cruas. Sem romantização. O que seria visto se realmente existisse essa casa com a carniceira de guarda-costas e resolvessem filmar um grupo de pessoas passando a noite por lá? Carnificina pura. Yes, that’s it. Mas quem quer isso? Quero roteiro! Quero história! Menti pra mim, menti que eu gosto…

  • Hanna Farias

    Essa temporada passará desapercebida e o motivo é simples: não conseguiram fazer com que nos importássemos com os personagens. Não houve UM que realmente sentíssemos a morte. São esquecíveis e descartáveis. Você não consegue ficar vidrato em um episódio e torcer por alguém que você não liga que fim tomará (The Walking Dead aprendeu a fórmula).

    O sentimento de “me dá igual” é fatal pra qualquer série, filme – ou, contextualizando, reality shows – gerar empatia para imergir o público à história é premissa básica.

    Se em outras temporadas tivemos Liz Taylor (com sequências memoráveis regidas por um soundtrack maravilhoso), Fiona Goode, Queenie… e outros que gostávamos, nessa levaremos quem na memória? A cena das mãos do Jimmy Darling, da 4ª temporada, em um frasco com formol foi mais chocante pra mim do qualquer pedaço de músculo que os Polk tenham tirado da Lee enquanto viva. Nem falar de Ma Petite.
    Se não me apego aos que estou assistindo não há suspense, não há nervosismo, não há emoção, não há coração palpitando, não há “Nãããão! Não acredito!!!”.

    Ah, no entanto devo dizer, me importava com os “personagens” do “documentário”. Sim, por eles torci. (a começar pelo novidade chamada Cuba Gooding Jr. O amo) Curiosamente (propositalmente?), todos os clichês estavam lá: o amor eterno, a mãe carinhosa separada da filhinha, o médium frágil que chega pra ajudar (o detalhe dele cobrar por isso foi fantástico), o clicheraço e sempre arrepiante da menininha que brinca sozinha mas na verdade diz à mãe estar interagindo com “alguém”, o fantasma perverso / o fantasma camarada, o chicheradaçoaço da figura que – em ultima instância – recusa-se a continuar o massacre, vai contra aos seus e salva os protagonistas…

    Mas a vida real é sempre mais boring, sem tanta tensão ou vulto atrás do espelho. Como demonstrado na série, o que tiver que acontecer, acontece. Na vida real as coisas são nuas e cruas. Sem romantização. O que seria visto se na vida real existisse essa casa com a carniceira de guarda-costas e resolvessem filmar um grupo de pessoas passando a noite por lá? Sim. Carnificina pura. That’s it. Mas quem quer isso? Quero roteiro! Quero história! Menti pra mim, menti que eu gosto…

  • Bruno

    Li em algum lugar que não pré indicaram a Adina Porter pro Emmy. Será que é verdade? Ela se manteve boa e com destaque desde o primeiro episódio e no oitavo roubou a cena. Acho que seria bem injusto não ser nem pré indicada, enquanto o Wes Bentley e o Evan Peters foram, mesmo tendo papeis “ridículos” (sem importância ou destaque) nessa temporada.

  • Kaio Henrique Nhyphk

    Queremos sempre grandes personagens. Uma série com 10 EPs, santa paciência. Uma das temporadas que mais gostei, realmente não consegui sofrer com nenhuma morte nem me apaixonar por ninguém, muita gente nem deveria ter aparecido, deve ser o contrato, mas acho que o “erro” está em “cortar” uma história, que estava indo a algum lugar, para misturar núcleos a partir do ep 06, deveriam ter seguido daquela forma, mas o resultado geral da série é bacana, levando em consideração a história “original” que lhe dá título, foi rápida, sangrenta, deu sustos e deixou poucos rastros.