Sarah Paulson fala sobre ‘Hotel’ em nova entrevista

A estrela de American Horror Story, Sarah Paulson, fala sobre aquela queda do primeiro episódio, Lady Gaga e o real vício de Sally. Confira:

Nas últimas quatro temporadas de ‘American Horror Story’, a indicada ao Emmy Sarah Paulson, interpretou uma vidente, uma jornalista, uma bruxa e gêmeas siamesas. Em ‘American Horror Story: Hotel’, ela estrela como Hypodermic Sally – uma viciada em drogas que (spoiler) foi empurrada de uma janela no final do episódio de estreia.

É sempre difícil arrancar detalhes do elenco de ‘American Horror Story’, que juraram guardar segredo ao produtor executivo Ryan Murphy. Contudo, Paulson fez uma pausa entre as filmagens de AHS e a tão aguardada ‘American Crime Story: The People v. O.J. Simpson’ (na qual ela interpreta a promotora pública Marcia Clark) para conversar com a Variety sobre sua personagem.

Variety: Você está viva?

Sarah Paulson: Bom, eu tive uma bela queda! Então acho que a resposta seria não.

Isso faz de você um fantasma?
Eu estou presa no Hotel. Então sim, eu acho que eu seria um fantasma. Ninguém confirmou isso para mim. É uma das coisas sobre ‘American Horror Story’ que eu gosto. Eu não tenho realmente uma resposta. Eu sei que definitivamente caí. Eu sei que definitivamente não sobrevivi à queda. E eu sei que definitivamente continuo na série. Você pode deduzir o que quiser com isso.

Seus personagens são famosos por terem sobrevivido nas temporadas anteriores. Então, esta é a vingança do Ryan?

Eu acho que ele tinha que fazer alguma coisa, porque ele não suporta quando isso é algo que os fãs esperam que aconteça. Se você espera que meu personagem sobreviva ou que eu seja a heroína da temporada, isso se torna chato para o telespectador. Assim, parte da magia maravilhosa de se ter um grande repertório é que nós respondemos ao público de uma forma engraçada. O público estava querendo me ver interpretar alguém mais malvado. Ryan estava interessado em me ver fazendo isso, e eu queria fazer isso também.

O que ele te falou sobre esta temporada?
Ele apenas me disse que esta seria bem diferente, e realmente é. Eu acho que se trata de uma bela fusão, de todas as temporadas anteriores em uma só.

Como ela se compara às outras temporadas, em sua opinião?  

Este ano eu estou me divertindo muito! Em Freak Show foi um duro trabalho, físico e mental, interpretar as gêmeas. Nós estávamos gravando em New Orleans, então estava muito calor e as condições não estavam propícias para se fazer qualquer outra coisa a não ser deitar com um pacote de gelo na sua cabeça. A terceira temporada (Coven) foi divertida para mim como Cordelia, mas eu passei boa parte do tempo cega, e era difícil saber onde ficava o banheiro. Este ano me permite fazer escolhas malucas em cena, porque a Sally realmente não dá a mínima. Ela é incrivelmente egoísta, o que permite que eu faça escolhas egoístas. Isso é muito divertido, porque não é o modo como eu costumo trabalhar atuando. Eu nunca tive a oportunidade de retratar nada disso.

Ela algum dia conseguirá sair do Hotel?
Eu não posso te dizer. Mas ela está perto de casa.

Nós saberemos mais sobre o passado da Sally?

Sim, mas isso será abordado mais tarde na temporada. Estou fazendo dupla jornada. Estou interpretando Marcia Clark em ‘American Crime Story’, que felizmente é gravado no mesmo local. Mas isso significa que minha participação em ‘Horror Story’ será maior depois.

Como você está lidando com o malabarismo entre os personagens?                                                     Eu sinto como se interpretar as gêmeas siamesas (na última temporada) tivesse me pegado de jeito! (risos) Isso é bem difícil, na verdade. Aquelas mulheres eram gêmeas e dividiam o mesmo corpo. Estas mulheres – Sally e Marcia Clark – tem uma coisa em comum, um instinto animal. Elas são instintivas, criaturas muito diferentes. Sem mencionar que quando eu vou para o trailer, tendo interpretado a Sally no dia anterior, eu tenho que me livrar das marcas de seringa e dos machucados. Eu tenho lápis preto praticamente até minhas orelhas. Temos que ‘achatar’ meu cabelo e coloca-los embaixo da peruca que uso para interpretar Marcia. Minha ‘de-Sallynização’ em Marcia é um dia traumático em ‘Horror Story’. Inevitavelmente, encontramos marcas de agulha entre meus dedos, e eu estarei na corte do tribunal pensando “Porra!”.

Qual papel você prefere?                                                

Eu tenho uma conexão especial com Marcia Clark porque pesquisei muito sobre ela. Eu sinto uma enorme responsabilidade em interpretar uma pessoa que ainda respira, que ainda está viva. Quando você está interpretando um momento traumático ou algo que vai muito além de tudo o que já experimentei, e o que isso faz a uma pessoa, é sempre um desafio incrível. Com a Sally, eu apenas estou me divertindo mais do que nunca em ‘American Horror Story’. Isso realmente significa algo, porque vem sendo minha verdadeira casa, no quesito atuação, pelos últimos quatro anos. Eu sempre tive momentos incríveis em ‘American Horror Story’, mas vale tudo com a Sally, e há tanta liberdade nisso! Ela não tem limites. É como se me pedissem para escolher meu filho favorito.

Como é trabalhar com a Lady Gaga?

Eu não tive nenhuma cena com ela ainda, e eu quero muito! Ela é uma adição incrível ao cast. Não há nada disso de que ela é a estrela principal e nós estamos apenas orbitando ao redor dela. Eu não sabia que isso é o que todos esperavam, mas foi absolutamente o caso. Ela energizou os roteiristas. Todo o show foi energizado tendo ela por perto.

Eu sei que você e Kathy Bates são bem próximas. Quão divertido é para você estar brigando com ela em cena?

É muito divertido! Porque nós temos uma relação maravilhosa na vida real, para nós é realmente muito fácil. Nós duas acabamos rindo, mas ela é muito melhor do que eu em se segurar. Eu sou a primeira pessoa a rir – sempre foi assim, sempre será assim. Aconteceu com a Jéssica (Lange) também. Normalmente, eu sou a agressora nas cenas com a Kathy, então ela está num clima diferente comigo. Não é com a minha amiga Kathy que estou brincando, é com a Iris, e ela é um pé no saco! Eu não tive quase nada com ela em Coven. E em Freak Show nós tivemos uma ou duas cenas no início, e depois mais nada. Então é maravilhoso trabalhar com atores de uma forma diferente. Lados diferentes da sua personalidade aparecem. É bem excitante!

Matt Bomer entrou para o elenco este ano. Como é trabalhar com ele? 

Eu me distraio muito trabalhando com ele, porque não sei se existe um homem mais bonito andando pela Terra. Matt é uma pessoa muito gentil, e (seu personagem) Donovan tem uma escuridão dentro dele – muito diferente do Matt. É só um exemplo de como ele é talentoso. As conversas que temos por trás das câmeras são sobre o que as crianças farão no final de semana, ou sobre qual é a melhor proteína para colocar no smoothie. A gente conversa sobre coisas normais, aí eu o vejo em cena e fico morrendo de medo.

Donovan está vivo?

Hmmm. Você vai ter que perguntar isso para ele! Não vou falar o que não devo. Gosto do meu trabalho, e desejo manter ele.

Bom, vocês compartilharam uma agulha.

Interessante. Eu gosto de como você está pensando. Esta provavelmente não foi uma boa ideia.

Por que Sally liberta a menina no final do primeiro episódio?

Ajudar a menina fugir foi uma combinação de ‘irritar a Iris’ e ‘se divertir’. Ela não fez isso de forma altruísta – tanto que só deixou uma delas escapar. Ela gosta de assistir outras pessoas sentirem alguma emoção. Ela mesma está desesperada para sentir algo! Ela sente o que as outras pessoas estão sentindo. É uma viciada em emoções.

Sally é mais viciada em amor do que em drogas?

Sim. Nós vamos descobrir mais tarde porque Sally é deste jeito, porque ela teve o coração partido. E quando você está de coração partido, as pessoas respondem a isso de formas muito diferentes. Muito viciados em drogas vão te dizer que estão constantemente procurando algo fora de si mesmos que faça a dor parar. Se você for uma pessoa mais evoluída, sabe que isso não vem de fora para dentro. Tem que começar internamente. Mas Sally não sabe disso. Ela foi ‘quebrada’ muito cedo. Eu não sei se algum dia ela conseguirá ser salva, para ser honesta. Ela está procurando por amor para tentar se salvar. Ela procura por drogas para ajuda-la a esquecer. Mas quando você não pode deixar o Hotel, eu não sei como você se salva – mas talvez haja alguém lá que possa ajuda-la.

American Horror Story: Hotel vai ao ar toda quarta-feira, às 22h no canal FX americano e toda quinta, às 0h00 no canal FX Brasil.

 

  • Douglas Ibanez

    Linda! ♡