Jessica Lange revela que assistiu AHS pela primeira vez somente há um ano atrás

Em entrevista dada em agosto deste ano para o site Deadline, Jessica Lange conta sobre sua parceria com Ryan Murphy e como foi interpretar novamente a personagem Constance Langdon em Apocalypse.

Jessica Lange não tem sido uma regular no elenco de American Horror Story em quatro anos, mas o suficiente para conseguir sua nona indicação ao Emmy foram poucos minutos de cena em dois episódios na oitava temporada, Apocalypse. Para este curto mas brilhante retorno reprisando sua personagem da primeira temporada como Constance Langdon, Lange poderia potencialmente ganhar sua quarta estatueta do Emmy, adicionando aos dois Oscars na sua estante. American Horror Story colocou Lange no mapa do Emmy como uma ganhadora repetitiva – ela já ganhou pela fumante-crônica, vizinha intrometida Constance em 2012, e em 2014, levou pra casa o Globo de Ouro por interpretar Fiona Goode em American Horror Story: Coven.

Em Apocalypse, você interpreta um personagem que você deixou no passado muitas temporadas atrás. Você pensou que algum dia iria voltar para Constance?

Nunca. Não, porque a premissa era, você faz uma temporada, você interpretaria aquele personagem, e era isso. Isso estaria terminado. Você segue para o outro. O jeito que Ryan trouxe isso, eu sei que ele brincou com a ideia de trazer os personagens diferentes de volta para uma temporada reprisada. Mas essa, veio do nada para mim, e foi uma total surpresa quando eu atendi a ligação dele me dizendo a premissa desta temporada, e que nós estaríamos trazendo de volta personagens da primeira temporada, e da terceira.

Como você entrou na mente dela (Constance) novamente?

Porque eu nunca assisto nada que eu faço e eu nunca vi nenhuma dessas temporadas, eu tive que, pela primeira vez, ver algo que eu tinha feito. Eu não conseguia lembrar – é claro, faziam oito anos – o sotaque específico, as maneiras, o comportamento, o jeito que ela olhava. Eu tive que recriar isso, com a ajuda do cabelo e maquiagem e roupas e tudo mais. Mas foi meio chocante quando eu voltei e olhei para aquilo. Eu pensei, uau, então a personagem era assim. Mas foi uma ótima diversão, realmente foi, especialmente porque os escritores me conhecem. Nós amamos uns aos outros. Eu aprecio demais tudo que eles fazem, e eles estão escrevendo para você, o que é único. Eles se orgulharam da cena da morte dela. Foi ótimo. Eu tenho que dar os créditos completos pra eles por isso.

Os escritores deram à você algumas das melhores falas insultantes para dizer ao longo dos anos. Você ainda lembra alguma delas?

Eu acho que talvez a minha favorita, certamente de Constance, era na primeira temporada com a Franny (Frances Conroy), onde eu disse para ela, “Não me faça te matar outra vez.” É tão exagerado, mas funciona.

Você interpretou quatro mulheres incríveis em American Horror Story. Você gostaria de revisitar alguma das outras?

Bom, provavelmente meu personagem favorito das quartas temporadas foi Elsa em Freak Show. Eu a amo. Novamente, eu não assisti, então eu não posso comparar o produto terminado com as outras temporadas. Mas a produção dela – tinha algo mágico para mim naquela temporada. Nós estávamos em Nova Orleans. O estúdio que eles construíram, aquele Freak Show carnavalesco com todos carrosséis e os atores, as pessoas que entraram para interpretar aqueles personagens – para mim, foi como um longo poema. Ter a oportunidade de cantar Bowie… Foram como presentes que continuaram crescendo e crescendo.

Sua apreciação pelo gênero horror mudou desde que você começou isso?

Bom, você sabe, eu acho que Ryan entendeu e os escritores entenderam no início, eu acho que deixei claro que eu não iria fazer nada muito gore, eu não vou fazer isso. E eu disse, “Eu não quero matar ninguém. Eu não quero, nada dessas coisas.” Então, meus personagens sempre parecem escapar dessa área, esse gênero do horror que eu era muito grata por fazer. E para mim isso nunca foi a parte mais assustadora, de qualquer jeito. É a psique humana, não é? Isso é o mais assustador.

Ao longo das temporadas, você teve a chance de se aprofundar em personagens por 12 horas por vez. O que você gostou mais e menos sobre esse processo?

A ideia de criar um personagem por mais de 10, 12 horas, é o equivalente a fazer três ou quatro filmes. Foi como fiz com Joan Crawford quando fizemos Feud. Aquilo foi escrito originalmente como um filme, então nós teríamos que condensar a história em duas horas, e teria tanto que não poderíamos explorar porque não teríamos tempo. Então essa parte de fazer séries, eu amo. Eu também amo que é uma série limitada e eu não tenho que voltar pra fazer esses personagens nunca mais, exceto com essa pequena viagem que fizemos esse ano. Porque, eu não sei, honestamente, como atores podem sustentar o mesmo personagem por dez temporadas, ou 12 temporadas, ou até oito temporadas, interpretando o mesmo personagem de novo e de novo.

Você disse anteriormente que iria se aposentar; você acha que está pronta?

Bom, o que eu jamais quero fazer, e eu fiz muito, é perder meu tempo fazendo coisas que eu deveria ter dito não. E eu tenho certeza que muitos atores sentem isso, quando você tem uma carreira que segue por quase 40 anos. Por quê eu fiz isso? Por quê eu perdi meu tempo? Mas sempre tem uma parte de você que diz, “Eu deveria trabalhar. Eu realmente deveria trabalhar. Eu encontrarei um jeito de fazer enquanto isso; Encontrarei um jeito de fazer esse trabalho.” E isso, eu acho que eu nunca vou fazer novamente porque o tempo fica muito precioso. Eu queria não ter feito um terço dos filmes que eu perdi tempo fazendo, mas isso é coisa do passado.

Um dos dois episódios de Apocalypse que você está é dirigido pela sua colega estrela, Sarah Paulson. Você dirigiria?

Ah, sim. Eu realmente acho que eu adoraria fazer isso, mas nada realmente veio no meu caminho, então…

Talvez seja a próxima coisa a fazer. Eu não sei. [Sarah] é uma diretora natural. Ela vem disso, é claro, como uma atriz, então ela entende como um ator trabalha e se prepara, e o que é preciso para ter a melhor performance. Ela estava incrivelmente bem preparada e inventiva, e entendia a câmera. Eu amei trabalhar com ela.

Você tem o novo projeto The Politician de Ryan Murphy vindo…

Minha personagem é tipo uma história tangencial com a história principal. Mas eu não vi nada ainda.

THE POLITICIAN

O que o mantém voltando para Murphy? Essa é sua terceira vez trabalhando com ele.

Porque eu amo sua imaginação. Eu acho que ele é um talento raro e eu amo o jeito que ele pensa e o que cria. Eu completamente amo isso. E ele criou, para mim, os quatro personagens em American Horror Story, tanto quanto me dar a oportunidade de interpretar Joan Crawford, na qual se tornou uma de minhas favoritas. E depois isso [The Politician], que está tão em alta. Eu não posso falar disso, mas é insano; é realmente louco. Entre Ryan imaginando e criando o personagem ou a história, e os escritores que estão na verdade colocando as palavras na sua boca, tem sido uma alegria.

Por Natália dos Reis em 14 de November de 2019

Estudante de biblioteconomia, ariana, mas nem tanto, ama terror/horror e tudo relacionado a isso. Gado de Ryan Murphy e ama muito Evan Peters.