As dúvidas mais comuns sobre ‘Hotel’ e suas respostas

Provavelmente você já ouviu as expressões “furo” ou “plothole” e talvez já tenha as usado. Há algumas pessoas que as utilizam sem nem conhecer o significado dessas palavras. Elas descrevem inconsistências na história, ou seja, uma situação que contradiga algo que foi estabelecido em outro momento da história. O problema é que algumas pessoas confundem elementos não respondidos de forma explícita em uma trama com furo. Infelizmente, em tempos em que as pessoas consomem filmes e seriados com um olho na cena e outro no smartphone essa confusão é cada vez maior. A quinta temporada de “American Horror Story”, “Hotel” é muitas vezes acusada de ter trazido furos e em grande parte dos casos eles não existem. Em outras ocasiões, não se trata nem de dúvidas não esclarecida. A resposta está em trechos do diálogo ou situações sutis. Os roteiristas apenas decidiram confiar em nossa capacidade de interpretar. Vamos ver algumas questões que podem ter permanecido para alguns espectadores:

Por que alguns hóspedes eram costurados em colchões?

Isso era uma obra da Sally (Sarah Paulson). Como mostrado em flashbacks dela, a Sally tinha necessidade de amor, fobia de rejeição. Em um diálogo do último episódio, ela chega a dizer que iria continuar a matar hóspedes até encontrar sua alma gêmea. Isso explica sua prática de prender pessoas em colchões e toda sua interação com o Gabriel (Max Greenfield). Sally percebia hóspedes que lhe atraíam, via eles serem vítimas do Demônio do Vício, pedia que dissessem que a amavam, os beijava. Quando estavam desacordados, ela os costurava em colchões para que eles morressem dentro do Hotel Cortez e se transformassem em fantasma. Assim teriam chance de ficarem juntos para sempre. Quanto à presença do colchão nos anúncios da temporada, quando criaram o material de divulgação, provavelmente acharam que essa situação ilustrava bem os perigos de dormir em um hotel e mostra um objeto típico de estabelecimento de hospedagem, como é o caso do colchão.

O que é o Demônio do Vício?

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O Demônio do Vício é uma manifestação física da aflição dos viciados. Como um hotel decadente de Los Angeles, o Cortez atraía um grande número de pessoas que procuravam um local para consumir entorpecentes em paz. Alguns deles chegavam a ter overdose e crises. Como o próprio March (Evan Peters) disse em um diálogo com Sally, pessoas como ela conjuraram esse demônio – provavelmente ao reunir sua energia negativa de necessidade e autodestruição. A primeira vez que a própria Sally o viu foi quando ela causou acidentalmente a overdose de dois amigos a quem se costurou. Os métodos do Demônio do Vício são uma metáfora bem no estilo Ryan Murphy sobre a tortura da dependência química. Como espírito no topo da hierarquia do Hotel, March controlava o Demônio do Vício e usava isso para chantagear Sally, exigindo favores em troca de proteção.

O que é o morador do quarto 33? E o que aconteceu com ele no final?

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Seu nome é Bartholomew e ele era o filho da Condessa (Lady Gaga) – tudo indica que dela e do March. Como ela se tornou vampira, a gestação foi acelerada e quando ela tentou abortar a criança (provavelmente para salvar a própria saúde) , o feto ainda mal formado resistiu e se tornou dependente de sangue, como todos os vampiros. Inclusive, fica subentendido que o Dr. Montgomery (Matt Ross) possa ter retirado uma amostra de sangue do bebê e a utilizado no processo de reanimação de seu filho Thaddeus (que se tornou uma criatura meio vampira, meio monstro de Frankenstein). Bartholomew, como as pessoas com esse “vírus” ficou com organismo paralisado em sua idade inicial. A Condessa o protegia no quarto 33 da luz e o alimentava – ou ordenava que seus empregados o fizessem. Antes de morrer, ela planejava fugir com ele, mas não chegou a alcançar seu andar quando foi fuzilada por John. Bartholomew provavelmente permaneceu em seu quarto, recebendo cuidados de sua mãe.

Por que a Ramona não conseguiu ferir Queenie, mas March conseguiu matá-la?


Queenie (Gabourey Sidibe) era uma bruxa de Nova Orleans (uma das personagens principais de Coven, terceira temporada de “American Horror Story). Seu principal dom consiste em refletir em outras pessoas ferimentos aplicados contra seu próprio corpo. Ela mesma se classifica como uma “boneca vodu humana”. Ramona (Angela Bassett) é uma vampira viva, quando ela ataca Queenie, todos golpes voltam para si mesma. March é um fantasma, incorpóreo. Por isso, o poder de Queenie não o afeta, o que permitiu que ele a esfaqueasse.

Por que Valentino e Tristan foram interpretados pelo mesmo ator?

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Valentino foi o primeiro e grande amor da Condessa. Ao ser separada dele, ela tentou o reproduzir procurando amantes com a mesma aparência física. Foi por isso que ela salvou e se encantou com Donovan (Matt Bomer). Mas a atração atingiu um grau maior com Tristan. Tanto Tristan como Valentino foram interpretados por Finn Wittrock para demonstrar como os dois eram semelhantes e explicar o fascínio instantâneo de Elizabeth pelo modelo. Ela mesma conta para ele que seu criador foi um homem parecido com Tristan, “porém, mais bonito”.

Por que algumas pessoas viraram fantasmas e outras não?

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É preciso entender três coisas na mitologia de fantasmas de American Horror Story. Áreas onde ocorrem grandes tragédias, violências e crueldades se tornam terrenos malditos onde quem ali morre pode se transformar em fantasma. É o caso do Hotel Cortez e da casa da primeira temporada, palco de suicídios, assassinatos e – no caso da residência dos Montgomery – de abortos em série. Na teoria dos mortos de “Hotel”, isso ocorre quando a pessoa possui assuntos pendentes. Vale lembrar que o espírito têm poder sobre a própria aparência – alguns preferem ostentar a causa da própria morte, outros ficam visualmente intacto – e podem aparecer quando quiser. Sally, March, Evers são exemplos de fantasmas que se manifestam com frequência. Já Tristan preferiu se ocultar para que Liz Taylor (Denis O’Hare) pudesse viver sua vida e só se tornou visível quando a bartender do Hotel finalmente faleceu. Natacha provavelmente não tinha assunto pendente ou escolheu se manter invisível.

Por que hóspedes e visitantes são assassinados no Hotel Cortez e a polícia não investiga seu desaparecimento?

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Essa provavelmente revela uma falha da temporada. Duas possíveis respostas. A primeira é que a polícia de Los Angeles no universo de Ryan Murphy é completamente incompetente. A segunda (e mais provável) é de que se trata de um elemento em que o roteiro pecou. Se não é um furo, é pelo menos uma conveniência para acelerar a história sem que os personagens tenham empecilhos. E pode se dizer que a trama ficou bem menos plausível por isso. Em alguns casos, é até possível que os mortos sejam pessoas alienadas da sociedade, isoladas, que dificilmente seja procuradas por familiares e amigos. Mas como acreditar que ninguém procurou a polícia para reclamar sobre o sumiço de uma jornalista de revista de moda ou a integrante de um conselho de uma clã de bruxas, entre outros que fizeram check-in no Hotel Cortez – deixando isto como pista de seu último paradeiro – e nunca mais foram vistos?

Por Rafaela Tavares em 17 de January de 2016