Sarah Paulson inspirou Cody Fern a moldar sua atuação para Michael Langdon

Michael Langdon é o diabo. Ou melhor, ele é o filho do diabo – o Anticristo, para ser exato. O personagem fez sua estreia sangrenta, embora curta, na primeira temporada de American Horror Story, Murder House, e agora retornou para a oitava, Apocalypse, na forma de um líder misterioso, mas finalmente reverenciado, interpretado por Cody Fern (American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace, House of Cards).

Até o quarto episódio, “Could It Be… Satan?“, o público estava trabalhando com muito pouco contexto em relação à história de Michael Langdon. O episódio 4 apresentou não apenas um contexto muito necessário, mas também o que parece ser o enredo inteiro da temporada: bruxas contra bruxos, e um apocalipse de proporções bíblicas liderado por ninguém menos que Langdon.

“A coisa sobre trabalhar em um programa de TV de Ryan Murphy é que ele tem um extraordinário coletivo de artistas, então todo mundo é como uma família”, disse Fern à SYFY WIRE, após o  episódio mais recente da série. “Sarah Paulson e Leslie Grossman fizeram um jantar antes mesmo de começarmos a filmar. Todos são muito próximos. E eles são muito solidários, [mas] acho que eu diria que estava incrivelmente nervoso ao entrar. Digo, é um show que está acontecendo há sete anos e há muitos favoritos dos fãs. E sabendo que seria o crossover de Coven/Murder House, fiquei feliz só por ter um minuto de tempo na tela.”

Fern nomeia Sarah Paulson e Kathy Bates como suas maiores fontes de orientação no set. Ele também credita Paulson pelo medo que Langdon invoca nos outros e pela autoridade que ele exala quando entra em uma sala. A primeira cena que Fern filmou foram os poucos minutos de agitação no segundo episódio, quando confrontou Venable (Paulson) em uma tentativa de colocá-la em seu lugar. Ele a seduz com poder antes de humilhá-la.

“É como se eu estivesse descobrindo quem Langdon era, como funciona, o quão vivo ele está ou quão manipulativo pode ser”, diz Fern. “Eu recebi a essência do personagem de Sarah, por causa do poder que ela transmitiu a Langdon, como ela respondeu a ele e seu nível de medo – isso alimentou meu desempenho e me ajudou a estabelecer quem ele era… Sarah é uma verdadeira líder. Ela realmente incorpora o que significa liderar a série. Ela cuida de cada ator. Ela está sempre chegando ao coração da história. Ela tem escolhas para cada cena. Ela é infinitamente fascinante. ”

Também fascinantes são os detalhes da natureza volátil de um tecnicamente adolescente Langdon (sugestão: uma certa maturidade) e sua jornada até agora. A SYFY WIRE e Fern discutiram isso e muito mais para chegar ao fundo do que se passa na cabeça do Anticristo.

SYFY WIRE: Kyle Allen me disse há algumas semanas que você é um dos que mais se dedica durante as gravações – você decora falas rapidamente e sempre vem preparado. A que você atribui isso?

CODY FERN: Isso é muito gentil da parte dele. Acho que, antes de tudo, isso não é algo insignificante, sabe? Não se tem tempo para ir ao estúdio de gravação e ficar de bobeira. Você precisa ir pronto para a batalha. E gosto de trabalhar próximo aos roteiristas, diretores e atores em cena.

Todo mundo trabalha de maneira diferente. Eu sou alguém que realmente gosta de preparação, o que pode ser muito difícil quando se está trabalhando nesse ritmo, pois pode acontecer de você receber a cena em cima da hora. Você pode receber todo o roteiro na noite anterior, precisa fazer escolhas está gravando cenas longas e… você ainda nem conhece a trajetória daquele episódio em particular. Hum, então gosto de trabalhar bem de perto com os roteiristas.

SY: Como trabalhar tão próximo dos roteiristas te ajudou a formar Langdon como um personagem?

CF: Sabendo que vamos voltar um pouco, ver quem ele era quando mais jovem e como chegou onde estava. Acredito que tem sido importante para mim entender seu estado de espírito, suas motivações e realmente criar sua jornada, porque quando o vemos no quarto episódio, você está conhecendo alguém que tem 16 ou 17 anos. Ele é um adolescente… Ainda está compreendendo suas habilidades. Ainda não está necessariamente ciente de seu propósito, sabe, como o Anticristo.

SY: Não é pouca coisa.

CF: Não é pouca coisa. Tecnicamente Michael tem, tipo, 6 anos [na linha do tempo da série], então ele obviamente cresce num ritmo muito rápido. E embora a inteligência venha com isso, suas emoções e capacidade de lidar com elas ainda não estão totalmente formadas. Ele essencialmente tem a consciência emocional de uma criança de seis anos. Isso faz dele alguém muito imprevisível.

SY: Langdon é jovem, mas também é desumano e extremamente manipulador. Ele é um personagem empático?

CF: Ele é completamente empático. Não vejo Langdon como um cara mau. E ele mesmo não se vê como um cara mau.

Sou uma pessoa muito positiva. Muito otimista. Eu sei que politicamente, no momento, as coisas estão… Não vou falar sobre política. Há coisas para se desesperar, mas há também, ao mesmo tempo, toda essa magia no mundo… dependendo do seu ponto de vista e sua experiência, e você molda o mundo.

E Langdon, ele nasceu envolvido em algo que foge do seu controle. Ele é o oposto polar de Jesus Cristo, exceto que ele é Jesus Cristo. Entende o que quero dizer? Eles são um no mesmo. Luz e escuridão.

SY: Eles são dois lados da mesma moeda.

CF: Exatamente! Michael nasceu com um propósito que nem compreende, ele tem que entender quem é e qual é o seu propósito, e quem pode dizer que é errado?

Então, quando estou interpretando Langdon, não penso em destruição. Eu não penso no fim do mundo. Eu penso no começo. E ele, Langdon, está tomando conta de tudo. O destino está se comunicando através dele, mas existe a sensação de que o homem destruiu a Terra e… a imagem que Deus deu ao homem claramente não está funcionando. As pessoas estão se matando, as pessoas estão, etc. etc. E então Langdon se apoia nisso, na raiz disso, no que realmente está no coração do homem. Se você destrói o mundo, coloca todo mundo em um bunker e começa a tentá-los, o que eles estariam dispostos a fazer para sobreviver?

E se essa é a sua verdadeira natureza, então quem vai dizer que é a natureza errada? Somente aqueles que são fortes o suficiente para viver nela sobreviverão. E não há nada de errado nisso na mente de Langdon.

SY: Então tivemos os flashbacks, onde aprendemos mais sobre Michael e sua origem, que é bastante sombria, certo?

CF: Quando você o vê na cela da prisão, Michael é um garoto muito desesperado. Ele foi quebrado. No começo do episódio 4 ele diz que não sabe como Mead o encontrou. Mas ela deu a ele uma casa. Algo aconteceu em sua trajetória que o levou a ficar com essa “mãe adotiva”.

E ele tem esses poderes que saem de controle. E então, de repente, ele é jogado dentro do fogo e é usado e usado… Esses bruxos querem ser os melhores, e Michael é a chave em potencial para isso. Eles se importam com Michael, ou só se importam mais com o seu próprio senso de poder? Então se você olhar através dos olhos de Michael, sobre como as pessoas o tratam e como tentam se aproveitar dele — digo, mesmo nos primeiros episódios — você vê que ele tenta Venable com poder, sexo e charme, e a habilidade de trair as pessoas. E entao você tem Gallant, que quer fazer qualquer coisa para transar com Langdon.

E então ele faz essas grandes entrevistas, você sabe, todos reclamam sobre isso e aquilo, e “você me salvou”. Se você realmente compreender Langdon, todos estão projetando algo nele. Estão projetando.

Existe esse senso de Langdon realmente se aproveitar disso pois o que as pessoas talvez queriam mesmo. Ele é a cobra na árvore do conhecimento. É tudo o que eu vou dizer. Se você olha a história da Bíblia, religioso ou não, e você se remove de seus conhecimentos e olha para ela metaforicamente, existiu um momento onde uma mulher teve a oportunidade de seguir cegamente alguém que a deu a vida, ou tomar conhecimento e ser expulsa do Jardim do Eden para um mundo de vontades.

A cobra é má, neste caso?

SY: Então nós iremos aprender mais sobre a cobra, aka, Langdon, nos próximos episódios?

CF: Sim. Sim. Vamos.

O ponto é que com um show como esse, os fãs tem opiniões muito fortes sobre o que eles querem. É difícil pois, você sabe, você fez uma coisa — como Venable sendo nova e ficam tipo, “onde estão as bruxas? Onde está isso ou aquilo?”. E então a outra metade fala: “Cadê Venable? Quando ela vai voltar? Quando vamos saber como ela chegou lá?”. E também falando tipo, “Cadê Constance? Quando ela vai aparecer?”.

E tipo, tudo bem, você sabe, existe uma história para falar aqui e ali, e existem tantos personagens no percurso e muitas oportunidades para aprofundamento e diversão e conexões, e só confie nessa montanha-russa. Eu não sei como tudo isso vai acontecer. Estou esperando na mesma intensidade que vocês. Eles não tem escrito [esta série] por sete anos para nada.

American Horror Story: Apocalypse é exibido todas as quartas-feiras às 23h00 (horário de Brasília) no FX USA, e será exibido no Brasil no dia seguinte, quinta-feira, às 15h20, no FX Brasil. Para receber novidades diárias sobre American Horror Story, siga-nos também no FacebookTwitter Instagram.

Por Gabriel Fernandes em 11 de October de 2018

Tu fui, ego eris. Arquiteto e ilustrador independente, grande fã do gênero terror.